sábado, 29 de setembro de 2018

Atlântico

Ciclotímico ritmo
A esteira gradeada de arames farpados
Conto coelhos felpudos
Se reproduzindo em toda dimensão de lugares
Parece que ainda estamos em maio
Um maio interminável
Um maio na forma de mar
E aguardo na areia a sua vinda desatenta
Inundando toda a humanidade
E seus planos de poder.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Horóscopo quase cheio

A realeza do real tem seus dias contados.
Uma infantaria de fatos lentamente esmagada
Pelo rolo compressor de uma única ideia..
Tudo que é sólido não é o bastante para não deixar de virar pó.
Ventiladores apontados para o espaço
A brisa é boa à 0 Kelvin.



quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Robob mauley

Robôs me visitam
Como.o o desejo
Is this love is this love
That I'm feeling.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Segunda carta a LFF

Transo os fios do seu cabelo que caiu
E tento bordar um casaco dos afetos de você
As mangas cheias da força da mulher que me apresentou o amor como a natureza mais óbvia
A gola da sua voz e seu sotaque, que eu levarei sempre em meus ouvidos
O colo repleto de um carinho inesgotável que se difunde e tranborda
Tua vaidade ainda brilha resistindo a brutalidade do tempo
Corro a minha infância nas veias das suas mãos limpas de unhas perfeitas e dedos com as marcas do seu jeito particular de cortar cebolas
As mesmas mãos que me enxugaram o choro e me trocaram as fraldas
Nos dedos, um lápis colore a cor do branco
Para se acalmar ou fazer o tempo correr em sintonia
Seu amor emana de nossos poros e não pode haver herança mais rica e ao mesmo tempo mais harmônica com a vida
Meu obrigado não faz sentido sendo que sou parte integrante de você
Minha existência é uma gratidão por si só
Um beijo na forma do seu jeito especial de dizer "amôre".



quarta-feira, 11 de julho de 2018

Média

Tristeza
Lunar
Inocente

Alegria
Solar
Indecente

Café
Com
Leite

Cai bem 
No frio
Do espaço sideral.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Entrecômodos

O cheiro de detergente nas mãos molhadas
Entre nós, um lago
De espuma

terça-feira, 17 de abril de 2018

O fundo

O fundo é todo escuro,
No escuro é tudo fundo
E tudo é fruto, no fundo.

Escuro fecundo de tudo -
Nado com ele e me curo
Do imenso raso do mundo.

Do lodo, contudo, refundo
Imerso no mar profundo
Todo o sublime imundo.

E faço pontes dos muros
E murmuro os marulhos
Do dilúvio do mundo.

O puro escuro é azul.


sábado, 14 de abril de 2018

Louve alva
Aurora
Luze

Sede
Seio
Se lambuze

Brote
Induze
Introduze

Goze
O gozo
Reproduze

Transe
O transe
Reconduze




quinta-feira, 12 de abril de 2018

Metadata

No diálogo com o fosso descobrimos o silêncio entre os espaços. E caminhamos com mil pernas em direção ao trabalho. Somos vigiados pela lógica - ela que boa e velha nunca entenderá o fosso e sua multidão de silêncio. E prosseguimos na procissão dos nossos sonhos. Novos sonhos que brotam como moscas na carne fresca do nascer da noite.

domingo, 8 de abril de 2018

Carta garrafa

Órbita mórbida
Da qual gravito
Satélite insólito
Linha lânguida
Mar de detritos
Atrito constrito
Farofa de pedra
Controle remoto
Selva infinito


terça-feira, 27 de março de 2018

Poema deformado

Surjo
Sujo
Ao relento

Desatento
Ao desatino

Eu tento
Exercito
o constante

Faço do quase
Um dever indevido
Vacilante

Sou devoto
Do conflito
E confundo

O raso
Com profundo

Comprovo
O cedo
Com o atraso

E refaço
O todo
Dos pedaços

E atropelo
O tropeço
Numa dança

E quando
Me canso

Repouso
Na forma
Da queda

Eu pauso
E reformo
A revolução

E deformo
O defeito
Em perfeito

Preservo
Sem reservas
Ou direção

No formol
Da palavra
Eu sirvo

E verso
E sorvo

A vida
Repleta
De falta
Completa

O tudo
Parcial

Ao modo
Do todo
Eu semeio

Seguro
De si
Sou um furo

Na roda
No asfalto
Ou no morro

Renasço

Na forma
De um ponto
Eu destroço

Um final
Decomposto
Em potência

Um início
Deposto
Ao fatal
















quinta-feira, 15 de março de 2018

Blue(s) dot

Coragem
Predicador de mil balas
As veias do dedo que atira
Latejam palavras em sacos pretos
O sangue
Na forma da voz
Diluída em chuva sem fim
Num pedaço quase esquecido da terra
Aquele tecido  consciente do universo
Onde tecem o inexorável
Com a agulha da violência

domingo, 11 de março de 2018

Estrofe atrofica

A cadencia acalmada dos palpites no peito
Vibra postulante o acaso do porvir
O harmonico ritmo dos encontros
Jaz livre como sempre jazz:
Caia no real antes que ele caia em você



quarta-feira, 7 de março de 2018

Água mole

O desastre tem seu manual. E o passo-a-passo de como te destruir da forma mais precisa possível. Comece pelo desejo, passe pelas entranhas e termine pelo fio da navalha. Uma cirurgia do avesso. E quando tudo começar de novo, se prepare. A dor é só o detalhe que te lembra da recorrência. A sempre igual sobremesa, te obrigarão a provar mais uma vez. Em camera lenta, o espanto é uma forma de esquecimento. Eu deixo o pão na geladeira pra apodrescer aos poucos.


sexta-feira, 2 de março de 2018

Turbulento

Céu da cor de camelo
Relâmpagos
Propósitos e destinos
Sonhos em gaiolas de Faraday
Inócuos a sobrevivência da paisagem.