Olho a mim
Como outro
Com outro
Olho a mim
Como a mim
Olho outro
Meu outro
Olho como
Como outro
Que me olha
Outro outro
Olho o olho
Como a mim.
quarta-feira, 3 de agosto de 2016
quinta-feira, 21 de julho de 2016
marfim
eu não sei onde está
e na verdade nunca adiantou
pois matei a aula da sabedoria
pulei o muro e dei de cara com o chão
sou craque (crack?)
PhD em chãologia
posso olhar pro chão como um astrólogo olha pro céu
e dizer que pelo alinhamento dos teus pés com o buraco
seu destino irá ser trágico
ou que o signo que rege a tua vida é Asfalto, Pedra-portuguesa ou Tapete-Persa
os que tem ascendente em Mato são sempre mais pacientes
mas ainda não sei onde está
decerto caiu,
poderia ter voado
aliás
queria eu que tivesse voado
você gostaria bastante
seu sonho sempre foi voar, né?
não lembro se sonhei com isso ou se supus ter te sonhado um sonho
fato é que cai
no sonho e acordei pensando que tivesse dito isso pra mim
acho que foi isso
acabei caindo e você voando
ou talvez você tenha caído em outro planeta que passava
a gravidade é implacável
mas sempre me apeguei as coisas
livros, cadernos, anotações velhas e até à minhas provas antigas que provam a minha falta de propriedade
as coisas me são pessoas que são lugares
foi em budapeste que eu te vi, mesmo tão distante
me senti em você
e quando nevou, quando os flocos caiam sublimes
minha língua aberta
sentia budapeste
eu dentro de budapeste e budapeste dentro de mim
não sei se
a liberdade tem gosto de floco de neve
ou de budapeste
mas
naquela noite a cidade não ficou branca
eu não sei onde está
e é inverno
e na verdade nunca adiantou
pois matei a aula da sabedoria
pulei o muro e dei de cara com o chão
sou craque (crack?)
PhD em chãologia
posso olhar pro chão como um astrólogo olha pro céu
e dizer que pelo alinhamento dos teus pés com o buraco
seu destino irá ser trágico
ou que o signo que rege a tua vida é Asfalto, Pedra-portuguesa ou Tapete-Persa
os que tem ascendente em Mato são sempre mais pacientes
mas ainda não sei onde está
decerto caiu,
poderia ter voado
aliás
queria eu que tivesse voado
você gostaria bastante
seu sonho sempre foi voar, né?
não lembro se sonhei com isso ou se supus ter te sonhado um sonho
fato é que cai
no sonho e acordei pensando que tivesse dito isso pra mim
acho que foi isso
acabei caindo e você voando
ou talvez você tenha caído em outro planeta que passava
a gravidade é implacável
mas sempre me apeguei as coisas
livros, cadernos, anotações velhas e até à minhas provas antigas que provam a minha falta de propriedade
as coisas me são pessoas que são lugares
foi em budapeste que eu te vi, mesmo tão distante
me senti em você
e quando nevou, quando os flocos caiam sublimes
minha língua aberta
sentia budapeste
eu dentro de budapeste e budapeste dentro de mim
não sei se
a liberdade tem gosto de floco de neve
ou de budapeste
mas
naquela noite a cidade não ficou branca
eu não sei onde está
e é inverno
$...
memórias de carvalho
a imagem da barbárie e da candura
o machado de são francisco de assis
corta a irmã árvore
para aquecer a irmã carne
do irmão de sangue.
todo dom é imundo (porque não é daqui)
e todo murro é em ponta de faca (a que lhe corta o pão)
até que lhe fecunde a mão.. o braço
e já não lhe possa mais sustentar
a realidade que lhe enforca a face
capitulada aos olhos
dos campos de concentração
de ciganos tétricos
de cheiros fétidos
porque a oralidade é a fumaça da mais velha árvore do mundo.
e só o que podemos é fumá-la.. à espera da onda.
o machado de são francisco de assis
corta a irmã árvore
para aquecer a irmã carne
do irmão de sangue.
todo dom é imundo (porque não é daqui)
e todo murro é em ponta de faca (a que lhe corta o pão)
até que lhe fecunde a mão.. o braço
e já não lhe possa mais sustentar
a realidade que lhe enforca a face
capitulada aos olhos
dos campos de concentração
de ciganos tétricos
de cheiros fétidos
porque a oralidade é a fumaça da mais velha árvore do mundo.
e só o que podemos é fumá-la.. à espera da onda.
At3m4
A matemática só me foi clara quando assisti a bomba.
A matemática assassinou meus filhos com projéteis aerodinâmicos.
A matemática me mata atematicamente.
O 1 me empala
O 2 me dusa
O 3 me trepa
O 4 me enquadra
O 5 me cerca
O 6 me encesta
O 7 intercepta
O 8 me olha
O 9 renova
O 0 me encerra
A matemática assassinou meus filhos com projéteis aerodinâmicos.
A matemática me mata atematicamente.
O 1 me empala
O 2 me dusa
O 3 me trepa
O 4 me enquadra
O 5 me cerca
O 6 me encesta
O 7 intercepta
O 8 me olha
O 9 renova
O 0 me encerra
quarta-feira, 6 de julho de 2016
grã
A retina descola
No ecrã
Eu não poderia ser outro
Que não tu
Morte e vida
Pelo ecrã
O sul da alma afã
A fama d'alva azul
No ecrã
Eu não poderia ser outro
Que não tu
Morte e vida
Pelo ecrã
O sul da alma afã
A fama d'alva azul
terça-feira, 28 de junho de 2016
O céu andaluz
Sinto-me em plena produção
Tudo que faço corre
E tudo que morre escorre
Pra essa locomotiva dialética incontrolada que se alimenta da fome atropelada dos mendigos que bem digo caem precisos precipício abaixo feito a chuva no hospício que dissolve a libido circunscrita do teu lábio da tua luva que maldiz os impropérios periféricos dos sapatos pendurados de garrote no fio que corta a urbe o bonde o torniquete insone da tua sombra que descansa no teu olho cornucópio de desejo e me lança feito um saco que dança à ribalta da cidade em chamas feito o drama do cadáver mutilado à revelia das rodas vivas sibilantes do teu vício que é o ócio e o cio que eu espio automóvel combustão e que atravesso à contramão feito lua que alvorece pelo chão no espelhopoça dessa força indiferente a poesia refletida em multidão..
Tudo que faço corre
E tudo que morre escorre
Pra essa locomotiva dialética incontrolada que se alimenta da fome atropelada dos mendigos que bem digo caem precisos precipício abaixo feito a chuva no hospício que dissolve a libido circunscrita do teu lábio da tua luva que maldiz os impropérios periféricos dos sapatos pendurados de garrote no fio que corta a urbe o bonde o torniquete insone da tua sombra que descansa no teu olho cornucópio de desejo e me lança feito um saco que dança à ribalta da cidade em chamas feito o drama do cadáver mutilado à revelia das rodas vivas sibilantes do teu vício que é o ócio e o cio que eu espio automóvel combustão e que atravesso à contramão feito lua que alvorece pelo chão no espelhopoça dessa força indiferente a poesia refletida em multidão..
segunda-feira, 27 de junho de 2016
Máscara de gás
Palpebra papel
Pólipoluo pincel
Cela cinzel
Cinza ilha
Matilha
Lobo solo
Alfa omega
Último espécime
Esperma biônico
Morfóloga
Gônada língua
Sombra solar selada
Sílaba alada
O ar.
Pólipoluo pincel
Cela cinzel
Cinza ilha
Matilha
Lobo solo
Alfa omega
Último espécime
Esperma biônico
Morfóloga
Gônada língua
Sombra solar selada
Sílaba alada
O ar.
sexta-feira, 24 de junho de 2016
Tríptico do sentido da vida
até hoje não se sabe se o terrorista se explodiu por tristeza, pressa, pra comemorar o reveillon ou pra contestar o calendário religioso
religiosamente os ratos se apropriavam da oferenda aos deuses, até que os velhos deuses morreram de fome e acabaram alimentando os ratos . então deuses se tornaram . deuses deófagos . que não mais vivem no céu . mas nos esgotos e velam por nossas vidas
a vida é o que eu vi
a vida vem e vai
a vida é a ida
a vida é vaia
a vida é via
a vida é vá
a vida é vã
e cabe geral,
Vambora, Ademário.
religiosamente os ratos se apropriavam da oferenda aos deuses, até que os velhos deuses morreram de fome e acabaram alimentando os ratos . então deuses se tornaram . deuses deófagos . que não mais vivem no céu . mas nos esgotos e velam por nossas vidas
a vida é o que eu vi
a vida vem e vai
a vida é a ida
a vida é vaia
a vida é via
a vida é vá
a vida é vã
e cabe geral,
Vambora, Ademário.
quarta-feira, 22 de junho de 2016
Vigília
A poesia sem pés
E mil bocas
De braços-palavras
De lavra e cansaço
E calma
Feito um animal à espreita
Camuflada sob a paisagem dócil
Do texto
Olha à você
Que não sabe onde está
Que não sabe o que é
E mil bocas
De braços-palavras
De lavra e cansaço
E calma
Feito um animal à espreita
Camuflada sob a paisagem dócil
Do texto
Olha à você
Que não sabe onde está
Que não sabe o que é
terça-feira, 21 de junho de 2016
Instante glacial
O inverno me envolve de sua semântica e me torpe de suas tormentas. Hoje, o desvairo suplica um manto que acolha qualquer sentido. Qualquer que seja, que nos alimente e reconstrua. Que possa recrudescer o frio que queima, para que toda dormência nos desperte e revele. Até que não sintamos nossa pele. Até que a sintaxe nos empodere e preserve nossa espécie, feito a palavra ao congelar o sentimento. Que a possessão do frio dure até o fim de sua era. E que, no segundo seguinte, nos recompense ao acordar do instante, tendo vivido todos os sonhos. E que o degelo nos contemple da partilha e do despertar inteligível de que o frio é apenas a memória sintomática do tempo de que é preciso nos acolher e estarmos juntos para, enfim, sobrevivermos.
Deus ex machina
Há um novo poeta assombrado pelo futuro
E nele residem as coisas que moralizarão o olhar da história
Cada guerra e cada rotina terá a sua razão
E nesta não caberá mais problemáticas
Dentro de alguns segundos, esse poeta irá solucionar todos os grandes enigmas com um haikai matemático
Subitamente espantado com o significado de seu último verso
Um ataque cardíaco o arrebata antes que ele possa concluir seu poema
O mais avançado robô passa, então, a convergir todas matrizes do conhecimento a fim de concluir seu verso final
Estimam que até 2090 o mesmo já será solucionado
O verso que modula toda existência
Poderá ser um sintagma incompreensível
Ou a sinopse intelegível que sintetize toda gramática
O verbo é deus
O predicado é universo
O sujeito...
E nele residem as coisas que moralizarão o olhar da história
Cada guerra e cada rotina terá a sua razão
E nesta não caberá mais problemáticas
Dentro de alguns segundos, esse poeta irá solucionar todos os grandes enigmas com um haikai matemático
Subitamente espantado com o significado de seu último verso
Um ataque cardíaco o arrebata antes que ele possa concluir seu poema
O mais avançado robô passa, então, a convergir todas matrizes do conhecimento a fim de concluir seu verso final
Estimam que até 2090 o mesmo já será solucionado
O verso que modula toda existência
Poderá ser um sintagma incompreensível
Ou a sinopse intelegível que sintetize toda gramática
O verbo é deus
O predicado é universo
O sujeito...
segunda-feira, 20 de junho de 2016
O discurso palhaciano
"A lei, o estado de direito, acho até que, nenhuma sociedade na história mundial, levou e leva em consideração em seu equilíbrio institucional, a atual situação de completa banalizacionalização. O circo é absoluto e não tem qualquer sinal de esperança. A não ser esta torcida silenciosa pela queda do malabarista, pela fatalidade no globo-da-morte, pela fúria faminta dos leões contra seu domador..." disse o palhaço.
E todos riram olhando-os uns aos outros.
E todos riram olhando-os uns aos outros.
sábado, 18 de junho de 2016
prosa ao tempo
escrevo por 30 segundos . tempo em que o tempo sorve em gota de sorvete da criança . tempo em que um frango assiste seu corpo correr sem cabeça . tempo em que o tempo passa sem 30 segundos . pois já são 20 . 15 . em que o peito palpita por não saber como viver sem a cabeça . 5 . e como poderá ser possível viver sem o e ....sem o tempo ? 0
Poema ao Tempo
Demiurgo da saudade
Grandíloquo ponteiro
Constrita pela idade
Todo espaço inteiro
Da isonomica justiça
Equilibra a sincronia
Ampulheta feita areia
Corre livre movediça
É utópico na pausa
O distópico segredo
Do universo valsa
O maéstrico enredo
Virtuosas da sorte
As alvas testemunhas
Velam pra que a morte
A eternidade sobrepunha
Mas sem a consciência
De que vale o vento?
É só pela lembrança
Que se dá seu movimento.
Grandíloquo ponteiro
Constrita pela idade
Todo espaço inteiro
Da isonomica justiça
Equilibra a sincronia
Ampulheta feita areia
Corre livre movediça
É utópico na pausa
O distópico segredo
Do universo valsa
O maéstrico enredo
Virtuosas da sorte
As alvas testemunhas
Velam pra que a morte
A eternidade sobrepunha
Mas sem a consciência
De que vale o vento?
É só pela lembrança
Que se dá seu movimento.
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