segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Soturno
Encontrei Saturno numa esquina em Buenos Aires. Movia-se rápido, fugaz. Saturno foi como nos sonhos monocromáticos, embora menor, dada a distância e a capacidade do telescópio. Inesquecível Saturno. Eu penso em Saturno e penso se Saturno me encontrou algum dia..
domingo, 22 de julho de 2012
Dialética incendiária
Propagar o germe em meio as propagandas propaladas
Diante dos assépticos foros da formalidade, defecar-se
Sem pudor disseminar a dor pelos castelos anestésicos
E servir de alimento aos porcos podres orquídeas raras
Publicar no teu púbis o poema mais baixo, metaforizado
Profeticamente no aborto metamórfico do teu orgasmo
E das estruturas mais sólidas de tuas convicções, sentir
A morte nascer de tua alma como a lótus brotar da lama.
Diante dos assépticos foros da formalidade, defecar-se
Sem pudor disseminar a dor pelos castelos anestésicos
E servir de alimento aos porcos podres orquídeas raras
Publicar no teu púbis o poema mais baixo, metaforizado
Profeticamente no aborto metamórfico do teu orgasmo
E das estruturas mais sólidas de tuas convicções, sentir
A morte nascer de tua alma como a lótus brotar da lama.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Cor
Ha um éter hipóteses não conjuradas que transcrevem o Se.
E se as hipoteses são também fatos não conjurados, faz-se de materia escura o sonho.
E o sono que antecede o sonho sonha um sonho calmo.
O pesar das pálpebras e o bocejo são reais.
Os calos e o cansaço são reais.
Verte material o insumo dos sonhos.
E da teoria, a hipótese.
A poese, o Se.
A lágrima, a grama.
A sobriedade insólita tende ao ébrio.
E a engenharia dos músculos é a da sinapse onírica.
A policromia do escuro, a dúvida de estar acordado.
E se as hipoteses são também fatos não conjurados, faz-se de materia escura o sonho.
E o sono que antecede o sonho sonha um sonho calmo.
O pesar das pálpebras e o bocejo são reais.
Os calos e o cansaço são reais.
Verte material o insumo dos sonhos.
E da teoria, a hipótese.
A poese, o Se.
A lágrima, a grama.
A sobriedade insólita tende ao ébrio.
E a engenharia dos músculos é a da sinapse onírica.
A policromia do escuro, a dúvida de estar acordado.
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Cadeia de carbono
Números não alimentam
Filosofias não alimentam
Poesias não alimentam
Qual o teu fòlego,
Etiópia
?
Filosofias não alimentam
Poesias não alimentam
Qual o teu fòlego,
Etiópia
?
segunda-feira, 18 de junho de 2012
domingo, 10 de junho de 2012
Domíngua
A escala das sinas
A encruzilhada,
a esquina
ululante às ruas
que se cortam
-suicidas!
O estado natural domingo
míngua água rarefeita nuvem-
Suspensa, alheia
à urbe-
insustenta-se
fel
Areia
o desaguar débil
desigual
o vazio dominical
Oh chuva que acarece e inverno
amenidade do Rio
Borradas luzes da Central
molhada
A noite cinza
Conseguinte imune
Com
sequência insone
Da segunda solar
Aterradora
Quando a margem vai ao centro
E quando tudo se esgota
Quando deveria começar
E todos inconscientes
Rezam baixo
pra que a vaga livre nos transborde
aos subterraneos aprazíveis de cad'alma
tornemo-nos pois relíquias de um aúreo tempo
ao invés do perecível da rotina mutilante
A encruzilhada,
a esquina
ululante às ruas
que se cortam
-suicidas!
O estado natural domingo
míngua água rarefeita nuvem-
Suspensa, alheia
à urbe-
insustenta-se
fel
Areia
o desaguar débil
desigual
o vazio dominical
Oh chuva que acarece e inverno
amenidade do Rio
Borradas luzes da Central
molhada
A noite cinza
Conseguinte imune
Com
sequência insone
Da segunda solar
Aterradora
Quando a margem vai ao centro
E quando tudo se esgota
Quando deveria começar
E todos inconscientes
Rezam baixo
pra que a vaga livre nos transborde
aos subterraneos aprazíveis de cad'alma
tornemo-nos pois relíquias de um aúreo tempo
ao invés do perecível da rotina mutilante
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Guerra suja
Na cova raza das bochechas
Um genocídio de mim /
Padeci ao insinuar-te nua
A escuridão dos olhos
Proponho o cessar fogo
Depois deste cigarro, é claro
Antes que o garrote
Me sobre como alternativa
A minha pátria já é sua
Meu lábaro já é seu
Hasteio-te com ufanismo
Pelos os anais da tua história
Um genocídio de mim /
Padeci ao insinuar-te nua
A escuridão dos olhos
Proponho o cessar fogo
Depois deste cigarro, é claro
Antes que o garrote
Me sobre como alternativa
A minha pátria já é sua
Meu lábaro já é seu
Hasteio-te com ufanismo
Pelos os anais da tua história
Irreversível
Teu nome é um verbete parnasiano
Na prosa podre do mundo
Uma ilha na ressaca universal
O presente no atraso do tempo
O cruel é saber
E não ter como salvar
Fatalmente lutar
Contra o rio imperdoável
Ainda que sobrem na margem
Fragmentos de esperança
Não restam mais lugares
Nem sequer a lembrança
Guardo-te a perfeição
No esquecimento.
sábado, 26 de maio de 2012
Estalactite
Florescem fétidos poros
Da racha fresca do asfalto
A candura brota do corpo
Da gruta escura do olho
A gota
A gota
A gota
A gota
Estalagmite
O choro sem limite
E o molde infiltrado no breu
De quantas lágrimas se faz o eu?
Com quanta terra se destila o céu?
Da racha fresca do asfalto
A candura brota do corpo
Da gruta escura do olho
A gota
A gota
A gota
A gota
Estalagmite
O choro sem limite
E o molde infiltrado no breu
De quantas lágrimas se faz o eu?
Com quanta terra se destila o céu?
na glote
Você, descrente de mim
Os deuses descrentes de mim
Se danam
Engasgados com a minha existência
Atravessada
No rabo de olho
Que abana com deleite
Venha,
Deite.
Você,
Tu
que alucina
O vício dos meus passos
Que cintila o aço
Que farfalha a grama
Que eu piso
Que eu amasso
Que pesa uma
um tanto quanto
A outra você
Você novamente
Encruzilhada
No cruzar dessas pernas
A cruzada
Você novamente
E o feixe de sol
Você, amarrotada de mim
Você, descrente de mim...
Os deuses descrentes de mim
Se danam
Engasgados com a minha existência
Atravessada
No rabo de olho
Que abana com deleite
Venha,
Deite.
Você,
Tu
que alucina
O vício dos meus passos
Que cintila o aço
Que farfalha a grama
Que eu piso
Que eu amasso
Que pesa uma
um tanto quanto
A outra você
Você novamente
Encruzilhada
No cruzar dessas pernas
A cruzada
Você novamente
E o feixe de sol
Você, amarrotada de mim
Você, descrente de mim...
terça-feira, 22 de maio de 2012
Epitáfio
Cada frase tem seus vincos vazios
As idéias são ligas de fragmentos substituíveis
Sou autóctone ao arquipelago inabitavel que me define
Maldita a primeira palavra,
Um esboço murmurado
Do progenitor talvez- o diminutivo
Que feito pecado natural
Me usurpou a liberdade, o grito
O choro selvagem.
Desde então, a linguagem apodreceu-me.
Meu semblante pueril amadureceu
Curtido no vitelo amargo da realidade
Resta-me o protesto,
- e o que mais haveria de restar?
Na disposição insular das coisas
Escritas - e de que outra forma poderiam ser?
Os anos se arrastam com a morosidade nauseante
Do dia, que se põe e nasce, sacralmente sem cansar.
Mas se hei de morrer, que seja em protesto
Que seja sobretudo por sobre a língua-morta
Que a erosão e o vento apaguem cada talhe letrado da lápide
E meu epitáfio se torne então liso como a tábula do tempo
As idéias são ligas de fragmentos substituíveis
Sou autóctone ao arquipelago inabitavel que me define
Maldita a primeira palavra,
Um esboço murmurado
Do progenitor talvez- o diminutivo
Que feito pecado natural
Me usurpou a liberdade, o grito
O choro selvagem.
Desde então, a linguagem apodreceu-me.
Meu semblante pueril amadureceu
Curtido no vitelo amargo da realidade
Resta-me o protesto,
- e o que mais haveria de restar?
Na disposição insular das coisas
Escritas - e de que outra forma poderiam ser?
Os anos se arrastam com a morosidade nauseante
Do dia, que se põe e nasce, sacralmente sem cansar.
Mas se hei de morrer, que seja em protesto
Que seja sobretudo por sobre a língua-morta
Que a erosão e o vento apaguem cada talhe letrado da lápide
E meu epitáfio se torne então liso como a tábula do tempo
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Projeção (ou Bala Perdida)
Não quando mas onde
Não onde mas é
Não sendo se foi.
Encontro-me
Quando os mais oblíquos sentidos
Atravessam-me.
Verso
Onde do avesso a lua transcreve o sol
Disperso.
De perto,
Sendo o reflexo repentino como um tiro,
Perdi-me.
terça-feira, 1 de maio de 2012
Antologia do preciso (de improviso)
A poesia precisa
A poesia precisa ser esclarecida
Ungida de luz
Mesmo
Mesmo que a inspiração
Mesmo que a inspiração tenha olhos fechados
Mesmo que a inspiração
Venha a esmo
No semblante da mulher amada
E mesmo que o semblante
Já não seja
A poesia deve ainda vir
Mesmo que a esmo
A inspiração venha ainda sim
No semblante amante da mulher
E mesmo que o ensejo seja assombro
Que venha com vontade
Que venha com devir
A poesia deve ir
Ainda que ilegal ou imoral
A poesia criminosa
Tem o direito de permanecer falada
Até que se dispa de ausência
E venha nua
Atravessando o corredor
No disparate da rua
Seja tomada aos tragos
A poesia precisa
Na medida certa to brilho
Bambar no meio-fio
Ao silvo imóvel dos carros
A poesia precisa
Incumbar-se de poema
Um poema dócil
Mas latente de demônios
Feito o flerte intermitente
Da calada amante noite
Na espera programada do sol
Precisamente então
A palavra inflamada de desejo
Pousará as asas sobre o mundo
O teu poema preciso
A erupção do teu ciso
E toda a solar solidão
Finalmente clara como o Este
A poesia te pegará no colo
Sussurando a rima indecifrável
Até o ermo do sentido
Com toda a imperfeição
De que é preciso
Trair-se com o improviso.
A poesia precisa ser esclarecida
Ungida de luz
Mesmo
Mesmo que a inspiração
Mesmo que a inspiração tenha olhos fechados
Mesmo que a inspiração
Venha a esmo
No semblante da mulher amada
E mesmo que o semblante
Já não seja
A poesia deve ainda vir
Mesmo que a esmo
A inspiração venha ainda sim
No semblante amante da mulher
E mesmo que o ensejo seja assombro
Que venha com vontade
Que venha com devir
A poesia deve ir
Ainda que ilegal ou imoral
A poesia criminosa
Tem o direito de permanecer falada
Até que se dispa de ausência
E venha nua
Atravessando o corredor
No disparate da rua
Seja tomada aos tragos
A poesia precisa
Na medida certa to brilho
Bambar no meio-fio
Ao silvo imóvel dos carros
A poesia precisa
Incumbar-se de poema
Um poema dócil
Mas latente de demônios
Feito o flerte intermitente
Da calada amante noite
Na espera programada do sol
Precisamente então
A palavra inflamada de desejo
Pousará as asas sobre o mundo
O teu poema preciso
A erupção do teu ciso
E toda a solar solidão
Finalmente clara como o Este
A poesia te pegará no colo
Sussurando a rima indecifrável
Até o ermo do sentido
Com toda a imperfeição
De que é preciso
Trair-se com o improviso.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
A andorinha
A cynical howl leaves as a mark
The pavement will rise by my trunks
And in the poplar of the Paper City
I'll light a cigarette to hollow the wind
And then
The swallow will fly
As it notices that Diogenes lamp
Turned to a cloudy limelight
That goes infinetelyLooking for the honest man
Who lies still relentless in the darkness.
domingo, 1 de abril de 2012
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