quinta-feira, 18 de junho de 2026

Malabaris

Interregnos
 De noites mal dormidas:

Me falta o português
 No inglês
E toda linguagem
 No sentimento.

Mas sigo
Brincando com palavras
No escuro.

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Cantam pássaros às 2 horas da manhã. Um canto que deve ser um grito na língua das aves. Vivo ultimamente suspeitando da vida. Talvez seja também o suspeito de algum crime. Me reservo ao direito de permanecer calado. E no silêncio da noite, os gritos dos pássaros soam feito um aviso.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

2

Indecifrado

Indescritível

Indevidamente

Dividido

Em dois

O tudo.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Trocado

Em ângulos retos

Da parede de concreto

Ao perfil do seu sorriso

Eu meço de improviso

A dor, como quem conta

Um trocado a toa, e doa

Aos quem tem fome

Pra aliviar o desespero

De se lembrar do próprio nome

Ou de se olhar no espelho

Procurando outrem.


Inverno

A realidade nasce como aborto da fantasia - em toda sua integridade - seus mecanismos, lâminas e roldanas, e parafusos, porcas, e seus circuitos, resistências e processadores -  seus algozes, vítimas e motivações. Tudo alimentado por essa seiva agridoce - pela máquina. Nascida espontânea e morta na sequência. O real que somos, e nos entregamos como oferta, é - e reduz-se a apenas um instante que queima num oceano congelado de uma era glacial, de um mundo que desliza calmo pelo universo rumo a paralisia total do próximo horizonte de eventos.

Estou em casa, e desligo o aquecedor pra me sentir mais vivo.