Num vacilo deslizante
A impressão impressionante
Do acaso.
E a certeza que até mesmo
A linha reta do destino
É uma silenciosa
Comunhão
De encruzilhadas.
logo ergo sum
Num vacilo deslizante
A impressão impressionante
Do acaso.
E a certeza que até mesmo
A linha reta do destino
É uma silenciosa
Comunhão
De encruzilhadas.
Cantam pássaros às 2 horas da manhã. Um canto que deve ser um grito na língua das aves. Vivo ultimamente suspeitando da vida. Talvez seja também o suspeito de algum crime. Me reservo ao direito de permanecer calado. E no silêncio da noite, os gritos dos pássaros soam feito um aviso.
Em ângulos retos
Da parede de concreto
Ao perfil do seu sorriso
Eu meço de improviso
A dor, como quem conta
Um trocado a toa, e doa
Aos quem tem fome
Pra aliviar o desespero
De se lembrar do próprio nome
Ou de se olhar no espelho
Procurando outrem.
Iludido pelo tédio, olhava o teto como quem olha para o ceu tentando encontrar uma nuvem que lhe fosse familiar. Mas através do teto, a névoa completa, e através da névoa o céu azul, e atraves da refração da luz na atmosfera, o vazio contornando a distância entre as estrelas, a matéria escura à flor da pele. Suspirou aliviando o universo de ter chegado até ali. E desligou num sopro a dinâmica silenciosa do contínuo. Viveu o presente por um segundo.
Suponho
O subreptício,
Sobrepondo
Cada subversão.
Sou como
A semente,
O acúmulo
Do que sobrou.
No interim
Entre o resto
E a floresta.
Por um acaso
Feito.
Em todo caso,
Foi-se
O que me fez.
Fiz pouco
Disso
Como sempre
Faço.
Um tanto
Dito
Sem qualquer
Lastro.
Fiz
Desfeita
Feito
Quem faz festa
Com a fita
Do que se desfez.
Sou desafeto
Do feitiço,
Mas desato
Os meus sapatos
Pra sentir
O asfalto.
Subo
Ao cadafalso.
E me põem
A toca
Como
Me vestindo
A roupa.
Vendi-me ao Fausto
Por um segundo
Pra ver o mundo
Depois
De morto
À forca.
Morte -
Face bruta da saudade -
Lenta ou súbita -
Sempre um corte -
O despertar
Do sonho da realidade -
Remissão
Sem remetente
Destino
Sem destinatário -
Somos discípulos do ausente
In memoriam do inevitável.