sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Testamento

 O poeta morreu.

Sem ser expulso da acrópole.

Sem a censura ou a falta de audiência.

Morreu como qualquer outro ser que morre por estar vivo. O poeta poderia não ter escrito sequer uma poesia. Poderia não ter feito nada, que ainda assim teria morrido.

Mas enfim, o poeta morreu. E morto, despido da insignificância, vestiu-se do mistério que sempre tentou descrever.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Paraíso perdido

 Na relapsa luz

  Do infinito

- o inferno

  Vestido de silêncio.


 Quantas

Estrelas cabem no céu

 E quanto cabe de passado

Na abóboda da noite?

 

 E o que nos espera

Enquanto sentenciamos

O presente ao fardo

Da esperança?





sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Cruzeiro

Num vacilo deslizante

A impressão impressionante

Do acaso.


E por ele, esta certeza 

- a de que até mesmo

A linha reta do destino

É uma silenciosa

Comunhão

De encruzilhadas.