segunda-feira, 29 de setembro de 2014
sob (re)
um corpo
sob uma pilha de corpos
u m m orto
so b um a pi lha dem ortos
um som
so b uma pilha de sons
uma vo n tade
so b um ap ilha de v ont ades
u ma mulher
s ob uma pilha dem ulher es
um desejo
sobumapilhadedesejos
umahora
sob u m a p i l h a d e t e m p o
uma palavra
sob um texto
um sentido
sob todos
um
sob re
outro.
terça-feira, 23 de setembro de 2014
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
haicai sem sinal
..........................................
(jesus voltou e ninguém viu
não pega 3G na puta que pariu)
(jesus voltou e ninguém viu
não pega 3G na puta que pariu)
domingo, 21 de setembro de 2014
filtro vermelho
do fundo do bar lotado
entre cotovelos brancos
o olhar atilado da mulher
se afixa em sua medula
pausa para o cigarro
*meditação à efemeridade*
ela digita algum sinal
indefinido na maça do rosto
apoiado pelas belas mãos
de unhas pretas
pausa para o cigarro
*meditação à efemeridade*
a mulher não se cansa
e o olhar se mantém
indefectível à sete mesas
e duas doses de distância.
pausa para o cigarro
*meditação à efemeridade*
"mestre, a última e fecha conta!"
"espera, leva isso pra mesa
do fundo na última esquina
do lado da porta de saída"
pausa para o cigarro
*meditação à efemeridade*
ela abre o guardanapo
lê e toma o gole final
o provocante sorriso de soslaio
se prepara para ir embora
pausa para o cigarro
*meditação à efemeridade*
paixão à primeira vista
única e verdadeira,
se soubesse teu nome,
mandava tatuar
pausa para o cigarro
*meditação à efemeridade*
entre cotovelos brancos
o olhar atilado da mulher
se afixa em sua medula
pausa para o cigarro
*meditação à efemeridade*
ela digita algum sinal
indefinido na maça do rosto
apoiado pelas belas mãos
de unhas pretas
pausa para o cigarro
*meditação à efemeridade*
a mulher não se cansa
e o olhar se mantém
indefectível à sete mesas
e duas doses de distância.
pausa para o cigarro
*meditação à efemeridade*
"mestre, a última e fecha conta!"
"espera, leva isso pra mesa
do fundo na última esquina
do lado da porta de saída"
pausa para o cigarro
*meditação à efemeridade*
ela abre o guardanapo
lê e toma o gole final
o provocante sorriso de soslaio
se prepara para ir embora
pausa para o cigarro
*meditação à efemeridade*
paixão à primeira vista
única e verdadeira,
se soubesse teu nome,
mandava tatuar
pausa para o cigarro
*meditação à efemeridade*
sábado, 30 de agosto de 2014
sábado, 16 de agosto de 2014
entropia
in-transitável pensamento
da forma se pode esculpir
uma cratera inexorável em um planeta inóspito
a geografia do teu sentimento -
condenado a condição de existir
o ser é o verbo em movimento
da forma se pode esculpir
uma cratera inexorável em um planeta inóspito
a geografia do teu sentimento -
condenado a condição de existir
o ser é o verbo em movimento
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
diáspora
do outro lado da rua,
um muro pichado:
NÃO COMPORTA AVISO
- para onde você vai?
- porque?
- você vai nos deixar?
- assim sem mais nem menos?
e de malas prontas sai.
depois do sétimo passo, olha para trás.
já não há mais casa
ouvira o alerta dos ataques pelo rádio
o seu passado irredutível
implodido de repente pela artilharia
um tanque se move pela esquina
e já não sabe a quem pedir ajuda.
olha para trás novamente
e sua casa agora está refeita
como um mosaico do que foi
na iminência de desabar
ao mais leve toque.
para,
abre as malas em busca de uma solução.
em meio as roupas empoeiradas,
uma arma e uma bandeira - retorna-os.
acha o que procura.
liga o rádio e espera.
um muro pichado:
NÃO COMPORTA AVISO
AOS QUE SE DEIXAM SEDUZIR
- para onde você vai?
- porque?
- você vai nos deixar?
- assim sem mais nem menos?
e de malas prontas sai.
depois do sétimo passo, olha para trás.
já não há mais casa
ouvira o alerta dos ataques pelo rádio
o seu passado irredutível
implodido de repente pela artilharia
um tanque se move pela esquina
e já não sabe a quem pedir ajuda.
olha para trás novamente
e sua casa agora está refeita
como um mosaico do que foi
na iminência de desabar
ao mais leve toque.
para,
abre as malas em busca de uma solução.
em meio as roupas empoeiradas,
uma arma e uma bandeira - retorna-os.
acha o que procura.
liga o rádio e espera.
domingo, 3 de agosto de 2014
o póstumo mistério
o velho já vê fronteiras em espaços vazios
e há quem sinta a liberdade pulsando no corpo.
e diz: o ritual é o próprio milagre.
mas quando do acordar instantâneo for tarde
e já pairar o esquecimento por suas engrenagens,
assumirá os limites de talvez ter com os dinossauros
um signo coletivo explicado em uma enciclopédia virtual
ou menos - tornar-se o fóssil bruto
de um tempo digital que não queima.
e já pairar o esquecimento por suas engrenagens,
assumirá os limites de talvez ter com os dinossauros
um signo coletivo explicado em uma enciclopédia virtual
ou menos - tornar-se o fóssil bruto
de um tempo digital que não queima.
sábado, 2 de agosto de 2014
quinta-feira, 31 de julho de 2014
plano inclinado
teleférica saída
movediça
me arrasto
espacialmente
assistindo-me
no mundo
o influxo
do resto
que passa
me é
a mecânica
no trajeto
ultraje
condenável
ser destemidamente
até
o derradeiro
vértice
indesigno
de um horizonte
tórpido de destino
como o antes
à vista,
o exuberante quadro
do agora sem fim.
movediça
me arrasto
espacialmente
assistindo-me
no mundo
o influxo
do resto
que passa
me é
a mecânica
no trajeto
ultraje
condenável
ser destemidamente
até
o derradeiro
vértice
indesigno
de um horizonte
tórpido de destino
como o antes
à vista,
o exuberante quadro
do agora sem fim.
terça-feira, 29 de julho de 2014
fidelidade
fui sempre fiel
a única mulher
que se transmuta
em todas.
e sempre
assisti suas traições
com outros
eus inconscientes.
a única mulher
que se transmuta
em todas.
e sempre
assisti suas traições
com outros
eus inconscientes.
segunda-feira, 28 de julho de 2014
inverno solar
a câmera é a arma do avesso
eterniza ao invés de matar
os olhos
no meio do nada incrementado
se fecham
e tudo se une fragmentado
no acaso
à beira do infinito
à beira mar
o vitral opaco
pedras portuguesas
sustentam o verso
o passo ruma
a próxima província
deparada a paisagem inefável
de uma fotografia
que eternamente aguarda ser revelada
eterniza ao invés de matar
os olhos
no meio do nada incrementado
se fecham
e tudo se une fragmentado
no acaso
à beira do infinito
à beira mar
o vitral opaco
pedras portuguesas
sustentam o verso
o passo ruma
a próxima província
deparada a paisagem inefável
de uma fotografia
que eternamente aguarda ser revelada
quarta-feira, 23 de julho de 2014
tempestade de areia
árida esfinge
que me cerca
a tua presença
sentida na falta
que me faz
e refaz
e que me acerta
de algum lugar
que não existe
em algum lugar
que já não sou
mas que me afeta
e me desperta
de um infinito minguante
o teu estandarte crescente.
que me cerca
a tua presença
sentida na falta
que me faz
e refaz
e que me acerta
de algum lugar
que não existe
em algum lugar
que já não sou
mas que me afeta
e me desperta
de um infinito minguante
o teu estandarte crescente.
monismo
palavra-pedra
atire-me daqui
orbite-me
no monismo absoluto
de sermos
pedra-palavra
em movimento
ou no equilíbrio
que é a espera,
um sempre
lançamento
desatento.
atire-me daqui
orbite-me
no monismo absoluto
de sermos
pedra-palavra
em movimento
ou no equilíbrio
que é a espera,
um sempre
lançamento
desatento.
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