No corte, na sede,
Na fome, no medo,
No azar e no zero.
Enquanto houver deserto,
Eu procuro o mar,
Pra chamar-lhe de praia.
terça-feira, 27 de julho de 2010
sábado, 24 de julho de 2010
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Plexo solar
Um céu de nada cintila sobre os ombros
E o espírito colado pelos olhos
Derrama um sorriso
-o orgasmo de que o sol
um dia não fará mais dia
e se consumirá por um buraco,
negro, como a pupila pela qual
serei eternamente vertigem-
Eu passo e.... espero...
E o espírito colado pelos olhos
Derrama um sorriso
-o orgasmo de que o sol
um dia não fará mais dia
e se consumirá por um buraco,
negro, como a pupila pela qual
serei eternamente vertigem-
Eu passo e.... espero...
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Táctil
Soar feito sonho
Um dormir induzido;
E por como e qualquer canto
Um talvez-porquê enfadonho
Descansa entre a fronte
E o travesseiro vazio.
- Sinapses sonambólicas
Tecem profícuas -
E num eco
O lapso julga as milhas milimétricas
Entre as dermes de uma mesma cama.
O choro feito lava escorre pelas mãos.
Um dormir induzido;
E por como e qualquer canto
Um talvez-porquê enfadonho
Descansa entre a fronte
E o travesseiro vazio.
- Sinapses sonambólicas
Tecem profícuas -
E num eco
O lapso julga as milhas milimétricas
Entre as dermes de uma mesma cama.
O choro feito lava escorre pelas mãos.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Memorável
Das têmporas faço temporais
E fossilizo o gesto
Na contagem regressiva de tua extinção
Tudo passa
Mas sobretudo você, pela minha cabeça,
Desde a antiguidade
Até o derradeiro cataclismo.
E fossilizo o gesto
Na contagem regressiva de tua extinção
Tudo passa
Mas sobretudo você, pela minha cabeça,
Desde a antiguidade
Até o derradeiro cataclismo.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Poema terminal (malditando - escarrotologia)
Um tanto ao qual
Verbifico os meios,
Medito.
Dito-me contemplações conjuradas
Pelo fora de mim.
Anseio-me por mentiras rasgadas
Num silêncio rouco.
Pasmem, leitor. Num espasmo da tosse, curo a dor-de-cabeça com um revólver. Essa inspiração desmedida, encontrei por fim no exagero dos lençóis.
E embaixo da cama, a expiração mundana, sôfrega e encatarrada, revela a mim, paciente, o que se pode revelar ao que se põe pelos fins.
Nasci já pelo fim. Substrato de antemão de fungos e bactérias. Esse êmbulo, que é a vida, já me ejacula gradualmente em gordas gotas de torpor.
Fica um beijo aos inertes do universo. Salto do ônibus porque sei que o frio que teleologizo é bem maior que o desse inverno subtropical.
Verbifico os meios,
Medito.
Dito-me contemplações conjuradas
Pelo fora de mim.
Anseio-me por mentiras rasgadas
Num silêncio rouco.
Pasmem, leitor. Num espasmo da tosse, curo a dor-de-cabeça com um revólver. Essa inspiração desmedida, encontrei por fim no exagero dos lençóis.
E embaixo da cama, a expiração mundana, sôfrega e encatarrada, revela a mim, paciente, o que se pode revelar ao que se põe pelos fins.
Nasci já pelo fim. Substrato de antemão de fungos e bactérias. Esse êmbulo, que é a vida, já me ejacula gradualmente em gordas gotas de torpor.
Fica um beijo aos inertes do universo. Salto do ônibus porque sei que o frio que teleologizo é bem maior que o desse inverno subtropical.
domingo, 23 de maio de 2010
No monólogo à dois, a Razão, como que desistindo diz:
- Sentido, sente-se ao meu lado, e se sinta à vontade de não se fazer.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Projétil
Como parte dos dedos, a inocência coça a realidade. De raspão. O arrepio. O interstício impossível e uma pedra sendo atirada. O ponto. O carinho com os olhos. O gume da lâmina. A paralisia. A adrenalina e a paralisia.
Quando pensar já não te livra de nada, só lhe resta vomitar.
Quando pensar já não te livra de nada, só lhe resta vomitar.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
A escatológica (a lógica do eco)
A humanidade nasceu com a primeira pergunta proferida no universo.
E o universo, em sua reverberação, matará a humanidade sem resposta.
E o universo, em sua reverberação, matará a humanidade sem resposta.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Sobre a certeza labiríntica
Ai, esse mundo! Esse mundo cheio de exigências. Não aguento esse mundo de exigências. Fodam-se as exigências! Eu quero a ilusão, e quero me desiludir com a ilusão como um apaixonado. Iluminar-me do aleatório. Esse aleatório fatal dos românticos. O aleatório que é mais que um complexo inconcebível. Quero, enfim, provar que alguma coisa ainda pode fugir da realidade. Quero poder salvar qualquer coisa da violência que me preenche.
terça-feira, 11 de maio de 2010
ánima (o lapso em contraponto)
Ocasionada, a esquina intangível de mil almas
Deu-me a tua no relance.
E por essas e por outras que o lapso me permite
A chance do descuido.
(A vida é irresponsável na sua arte de pincelar a violência.
A genialidade advém de saborear a estética,
Tendo consciência de sua condição de parte
Da imagem violentada)
Deu-me a tua no relance.
E por essas e por outras que o lapso me permite
A chance do descuido.
(A vida é irresponsável na sua arte de pincelar a violência.
A genialidade advém de saborear a estética,
Tendo consciência de sua condição de parte
Da imagem violentada)
segunda-feira, 10 de maio de 2010
O campo de trigo
Mendigo os segundos que me esquecem de pensar.
Interpelo, assim, ao corvo, que gralha o som
Do sol, o mais opressor dos astros.
Interpelo, assim, ao corvo, que gralha o som
Do sol, o mais opressor dos astros.
domingo, 9 de maio de 2010
Obscer
Poupo a circunstância
E tropeço perdão por delitos idôneos.
Em tempo,
Tomei como partido o inteiro dos teus lábios
Mergulhando-me inerme entre seus rins.
No agora
Faço todo, tomada parte da cena
Contemplada inerte pelo obsceno gesto
De falar o que se pensa.
Não obstante, ela, que me consumia,
Obsessiva, sangra pelo instante
Em seiva, em perfume e torpe,
A negra flor do ciúme.
E tropeço perdão por delitos idôneos.
Em tempo,
Tomei como partido o inteiro dos teus lábios
Mergulhando-me inerme entre seus rins.
No agora
Faço todo, tomada parte da cena
Contemplada inerte pelo obsceno gesto
De falar o que se pensa.
Não obstante, ela, que me consumia,
Obsessiva, sangra pelo instante
Em seiva, em perfume e torpe,
A negra flor do ciúme.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Pela ribalta de vidros abertos
Um falso crepúsculo incrusta-se no madrugar da noite. O fitar dos gatos e o silêncio do frio, me refletem os postes o quão alagado é o mar. Acautelo-me horizontescamente pela lua. Já me retomando de oblíquo, os para-brisas e meios-fios me urgem às proporções. E só me vem ao porta-luva as improduções de sempre, dizendo que o inverso perfeito foi a sorte de ter te encontrado sobre o azar de ter existido... Atropeladas epifanias, os quebra-molas me esperam impassíveis conforme minha onipotência é abalada pelo tanque - agora quase cheio. Combustei-me ao longo da auto-estrada, parte de mim sublimou pelo caminho. Mas não deixo de perseguir, intacto, o horizonte, simplesmente por querer-te um dia ao Índico.
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