Você caminha o passo dos mortais.
Dobra a esquina e se depara com o impossível.
Percebe que ele é mais frequente do que se imagina.
Como um micróbio ou ácaro, vive em colônias em seu travesseiro.
Você acaba por se perceber como sendo alimento do impossível.
Um substrato em que ele contamina e mutila aos poucos.
De repente, o impossível já infectou qualquer perspectiva.
Agora, você está imóvel ou se movimenta em função de sua inércia em relação a ele.
Tudo começou naquela esquina.
E passou então a estar tomado pelo impossível.
É ele quem escreve o texto como um atestado de óbito da ilusão.
Ela que via a pluripotência em cada caminho.
Neste momento, asfixiada pelo impossível.
domingo, 28 de julho de 2019
quarta-feira, 24 de julho de 2019
quinta-feira, 18 de julho de 2019
Design bruto
Estilhaço -
De repente.
A poda lancinante -
Rotina
Guilhotina
Diamante
Sombra
Feminina
Cristalina
Névoa
Na retina
De repente.
A poda lancinante -
Rotina
Guilhotina
Diamante
Sombra
Feminina
Cristalina
Névoa
Na retina
sábado, 13 de julho de 2019
Poêmio
Marjeia o meio-fio
Como quem dança
A beira do precipício
Desatina um verso
Como uma calota polar
Desbrava o oceano
Entrega-se a noite
Como um exilado
Se nutre da saudade
A beira do precipício
Desatina um verso
Como uma calota polar
Desbrava o oceano
Entrega-se a noite
Como um exilado
Se nutre da saudade
quinta-feira, 11 de julho de 2019
Sem teto
Eu penso nos rendidos que filam as bordas do desdém. Aqueles que sequer viram estatística. Que se escondem sob o ritmo frenético da sobrevivência urbana. E driblam os carros como se quisessem viver. Aqueles os quais desvia a procissão metálica e que servem a referência do medo, da reza dos normais, de suas paranóias. Os donos dos olhos opacos, imersos no horizonte sem ter um palmo de esperança diante de si.
Eu penso neles, e nada faço enquanto o tempo corrói a culpa. Amanhã, sigo no desvio de não pensá-los. Sigo a missa silenciosa e programática pra que o acaso me salve da colizão inevitável ou do destino de me tornar um deles.
Deve amanhecer em breve sob a marquise, e sobre as pedras afiadas das estalagmites fabricadas pelo novo plano de governo. O rolo compressor não cessa, no engenho, no ciclo do centro do tempo paralítico. O sol já esboça prolongar o sofrimento daqueles que morrem na tuberculose da noite mais fria.
Eu tusso.
Eu penso neles, e nada faço enquanto o tempo corrói a culpa. Amanhã, sigo no desvio de não pensá-los. Sigo a missa silenciosa e programática pra que o acaso me salve da colizão inevitável ou do destino de me tornar um deles.
Deve amanhecer em breve sob a marquise, e sobre as pedras afiadas das estalagmites fabricadas pelo novo plano de governo. O rolo compressor não cessa, no engenho, no ciclo do centro do tempo paralítico. O sol já esboça prolongar o sofrimento daqueles que morrem na tuberculose da noite mais fria.
Eu tusso.
quarta-feira, 3 de julho de 2019
Previsão do tempo
Enquanto dorme, a frente fria se desloca.
Um certo vento que se dobra ao relevo dos trópicos.
Cada palavra medida nas minúcias de uma vida inteira. O entreolhar firme e cândido da compreensão. O perdão na sua forma mais pura. E também o sexo, despido de erotismo mas repleto de amor.
Tudo rende-se a expectativa da frente fria, que chega sorrateira sem tremular as árvores.
sexta-feira, 28 de junho de 2019
Caindo na real
Curva luz
A gravidade poética
Te ensinando na marra
Que a última tendência do espaço sideral
É o encontro
A gravidade poética
Te ensinando na marra
Que a última tendência do espaço sideral
É o encontro
quarta-feira, 19 de junho de 2019
Os conselhos aos meus #1
Sinceros
Sejam,
Filhos,
A si
E ao sol.
A ele, a lua
E consigo
Sigam
Do sol
A arte
De poder
E o breu
Iluminar
Sigam
Da lua
O transe
De mudar
E o reflexo
De seu par.
Sejam,
Filhos,
A si
E ao sol.
A ele, a lua
E consigo
Sigam
Do sol
A arte
De poder
E o breu
Iluminar
Sigam
Da lua
O transe
De mudar
E o reflexo
De seu par.
Tubarões de Recife
(Prendo a respiração)
.
.
.
Em minhas reservas
Equações são frases que se explicam
E se fazem letras
Produzimos códigos que brincam com a experiência que o mundo tem de si mesmo
Escrevo aqui de uma gaiola de Faraday sobre a tempestade que inunda uma cidade
Uma mulher morreu afogada em um túnel
Não sabia nadar
Aqui estamos
Submersos em números que não nos ensinaram a contar
.
.
Parkinson
Eu vejo um casal de velhos
Não há nada encantador neles
Apenas velhos
Humanos velhos
Que fizeram coisas humanas durante um bom tempo
Que pelo visto se aturaram
A si
E um ao outro
Por muito tempo
Eu vejo apenas o tempo
E seu acúmulo de detritos, de manias
Eu vejo o tempo como uma forma de vício
Um vício inesgotável e insaciável
Que deturpa o espaço-tempo
Que nos empurra como um desejo indecifrável
Feito um espasmo muscular involuntário
E nos entrega os pontos como aqueles velhos que se suportam
E se curvam de tanto peso
E aceitam
Resistindo ao não
Não há nada encantador neles
Apenas velhos
Humanos velhos
Que fizeram coisas humanas durante um bom tempo
Que pelo visto se aturaram
A si
E um ao outro
Por muito tempo
Eu vejo apenas o tempo
E seu acúmulo de detritos, de manias
Eu vejo o tempo como uma forma de vício
Um vício inesgotável e insaciável
Que deturpa o espaço-tempo
Que nos empurra como um desejo indecifrável
Feito um espasmo muscular involuntário
E nos entrega os pontos como aqueles velhos que se suportam
E se curvam de tanto peso
E aceitam
Resistindo ao não
Os auto-conselhos #78
Pressuponho que visite em cada encontro
A parte irreconhecível de si
E se apoie no grotesco
Pra ver que a beleza é uma concatenação
Programada de todas as doutrinas que te fizeram engolir
Daqui por diante
Idolatre os ídolos mais esdrúxulos
Eles te ensinarão que tudo é um ato de fé
E que a fé é uma folha da árvore dos costumes
Não se acostume
Corte as raízes de tudo que achar verdadeiro
E construa as histórias na verdade maior
De que toda escuridão é uma página em branco
sábado, 15 de junho de 2019
Esperando (Godot?)...
Na sala de espera
Um aroma doce de laranja
A bossa nova e o ar condicionado
Hermeticamente regulados
Para o conforto total do ambiente
Da sala de espera do proctologista.
A bossa nova e o ar condicionado
Hermeticamente regulados
Para o conforto total do ambiente
Da sala de espera do proctologista.
sexta-feira, 31 de maio de 2019
terça-feira, 7 de maio de 2019
Sonda ao insondável
O peso dos órgãos sobre o corpo
O ar atmosférico
E um alarme falso que não cessa de tocar
O ambiente esvaziado de direitos
E repleto de culpados
A respiração profunda
E a cultura na forma de um átomo
Que cruza o éter inevitável
A noite em sua forma total.
O ar atmosférico
E um alarme falso que não cessa de tocar
O ambiente esvaziado de direitos
E repleto de culpados
A respiração profunda
E a cultura na forma de um átomo
Que cruza o éter inevitável
A noite em sua forma total.
quinta-feira, 2 de maio de 2019
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