Atravessa-me o rio
Flutua-me sem que possa pegá-lo
Tal qual os encontros
E a matéria sublime que sintetizam os sonhos
Palavras e figuras
Destiladas pelo rio
Que corre em todas as direções
De sua densa lama
Nos fazemos homens, mulheres, crianças,
Velhas formas a serem deformadas pelo rio
E serem de novo a lama
Sob sua turva água,
que não dá pé.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2017
quarta-feira, 4 de janeiro de 2017
domingo, 11 de dezembro de 2016
Parque de digressões
Ewvae
Mulher
Queria escrever a poesia
Menos piegas pra que chamasse de bilhete
Mais profunda que teu filme preferido
Quero escrever aqui
A tua curva doce
O teu erro crasso
No ar
O aço
Queria aqui desenhar o teu caminho
No espaço
Apostar a ficha
Nesta garra metálica vacilante
Contra esse mar de pelúcias insondáveis
Contra esse mar de pelúcias insondáveis
Manifesto indionoizístico
O que nos une é a antropofagia.
O que nos difere é a fome.
Pau Brasil embrasado.
Vermelho na conta ou no sangue.
Bathory bafomé, a tronca fuma eletrônica.
Vida eterna facebook
Muco soco suco
Juros de amor
7 a 1 é oco.
Verd'amarelo pica pau
oligarca orca paca.
Sóbrio bonde intelectual que nunca foi num terrero.
Um novo orixá acaba de nascer.
O folclore do futuro reaça senta praça no petismo
Pmismo cededebismo coca sincretismo.
A sopa ta esquentando
Racismo pacifismo estrabismo
Canja e prudência não fazem mal a ninguém
à brasileira:
Menu principal.
Chupa pomba gira preto velho tambem tem pau
Santo darwin oswald
Já vai tarde science
Um tiro na intelectualidade
Urubus alados também viram carniça
O nóize é total
Sexo drogas espacial
Exu oxóssi boto guará lobotomia
Tudo corre o tempo à rodo
Tudo escorre pela pia.
Via Láctea (em português),
88 circunscrições solares desde o manifesto antropófago.
um grande FODA-SE neon pisca na viela do universo.
O que nos difere é a fome.
Pau Brasil embrasado.
Vermelho na conta ou no sangue.
Bathory bafomé, a tronca fuma eletrônica.
Vida eterna facebook
Muco soco suco
Juros de amor
7 a 1 é oco.
Verd'amarelo pica pau
oligarca orca paca.
Sóbrio bonde intelectual que nunca foi num terrero.
Um novo orixá acaba de nascer.
O folclore do futuro reaça senta praça no petismo
Pmismo cededebismo coca sincretismo.
A sopa ta esquentando
Racismo pacifismo estrabismo
Canja e prudência não fazem mal a ninguém
à brasileira:
Menu principal.
Chupa pomba gira preto velho tambem tem pau
Santo darwin oswald
Já vai tarde science
Um tiro na intelectualidade
Urubus alados também viram carniça
O nóize é total
Sexo drogas espacial
Exu oxóssi boto guará lobotomia
Tudo corre o tempo à rodo
Tudo escorre pela pia.
Via Láctea (em português),
88 circunscrições solares desde o manifesto antropófago.
um grande FODA-SE neon pisca na viela do universo.
domingo, 4 de dezembro de 2016
Reza
O poeta morre em toda poesia
A podre poesia a qual floresce
Sóbria a que suspende o corpo
Podre do poeta morto e escreve
Entre a densa fumaça torpe do
Que chamam de verdade este
Aroma que ilumina a melodia
Deste dia incorporado poesia
Do poeta sublimado destilado
Pelo pólen das palavras mudas
Os versos dispersos no vento
Que atravessam-nos os olhos
Que é a boca suja do poeta
E é o seu canto é o timbre das
Coisas podres pluripotentes
De flores que exalam o cheiro
Doce em decomposição do
Corpo do poeta-poesia pelo
Qual lemos o mundo tal qual
Velamos o morto em palavras
Belas das quais desconhecemos
Mas que cantamos pois poetas
A elas nos ensinaram
(sem nos explicar.)
A podre poesia a qual floresce
Sóbria a que suspende o corpo
Podre do poeta morto e escreve
Entre a densa fumaça torpe do
Que chamam de verdade este
Aroma que ilumina a melodia
Deste dia incorporado poesia
Do poeta sublimado destilado
Pelo pólen das palavras mudas
Os versos dispersos no vento
Que atravessam-nos os olhos
Que é a boca suja do poeta
E é o seu canto é o timbre das
Coisas podres pluripotentes
De flores que exalam o cheiro
Doce em decomposição do
Corpo do poeta-poesia pelo
Qual lemos o mundo tal qual
Velamos o morto em palavras
Belas das quais desconhecemos
Mas que cantamos pois poetas
A elas nos ensinaram
(sem nos explicar.)
quarta-feira, 23 de novembro de 2016
Manifesto Trágico do Quadridimensionalismo
O poema o qual está sendo lido foi designado para atravessar o plano físico e temporal de sua expressão imagética.
Este poema representa o primeiro (e último) fracasso na poesia quadridimensional.
Este parágrafo inaugura o movimento insólito da poesia quadridimensionalista fracassada. Sendo este o único exemplar literário e conceitual deste movimento, que se inicia e se encerra em 23 de novembro de 2016 às 22h31m no Rio de Janeiro, Brasil.
Este estatuto vigora até a presente data universal do leitor.
Este poema representa o primeiro (e último) fracasso na poesia quadridimensional.
Este parágrafo inaugura o movimento insólito da poesia quadridimensionalista fracassada. Sendo este o único exemplar literário e conceitual deste movimento, que se inicia e se encerra em 23 de novembro de 2016 às 22h31m no Rio de Janeiro, Brasil.
Este estatuto vigora até a presente data universal do leitor.
quinta-feira, 27 de outubro de 2016
Oração à CGS
Suplico eu
À Cósmica Gosma Seminal:
"Ò Plástica Imanente Força,
Livre-me do hospício desta sombra.
Faça-me o animal que não entendo
Antes que me entendam nessa jaula
Ao dissecarem meu corpo combalido.
Floresça a força de minha natureza,
O animal de minha forma sem espécie."
À Cósmica Gosma Seminal:
"Ò Plástica Imanente Força,
Livre-me do hospício desta sombra.
Faça-me o animal que não entendo
Antes que me entendam nessa jaula
Ao dissecarem meu corpo combalido.
Floresça a força de minha natureza,
O animal de minha forma sem espécie."
sábado, 8 de outubro de 2016
Encontro
Viemos do mesmo lugar
Em lugares distintos
Cingramos o mar
A marca na pele distingue
A marca nos olhos
A marca nos punhos
Distingue
Antes que a onda nos limpe
As pegadas
Antes que o vento atenue as marcas
Na pedra
Palavras marcadas
Perdidas no ar
Distintas
De cor
De dor
Palavras que limpem
Então só palavras
Que lavem
A lavra de nosso suor
E do gozo
De nosso torpor
Até chegarmos aqui
E sermos aqui
Um beijo
Rente ao desencontro
De não sermos.
Em lugares distintos
Cingramos o mar
A marca na pele distingue
A marca nos olhos
A marca nos punhos
Distingue
Antes que a onda nos limpe
As pegadas
Antes que o vento atenue as marcas
Na pedra
Palavras marcadas
Perdidas no ar
Distintas
De cor
De dor
Palavras que limpem
Então só palavras
Que lavem
A lavra de nosso suor
E do gozo
De nosso torpor
Até chegarmos aqui
E sermos aqui
Um beijo
Rente ao desencontro
De não sermos.
quarta-feira, 28 de setembro de 2016
Ponteiro
Estou atrasado.
O ônibus saiu sem me esperar.
Nessa oportunidade impossível de refletir sobre o tempo entre a saída pontual de um ônibus e a previsão da chegada do próximo, eu me ocupo de culpar-me pelo atraso ou pela automação de nossas relações civilizacionais. O mundo disforme das boas intenções é o inferno dos outros. O próximo chegou precisamente, sem esparar pelos atrasos alheios.
Há algo que comove na imobilidade de assistir a paisagem em movimento, em se dar conta do atraso, da recorrência dos dias e das pessoas idosas que não tem lugar pra sentar. Talvez nada seja mais cruel que a educação diante do ponteiro afiado das horas.
O ônibus saiu sem me esperar.
Nessa oportunidade impossível de refletir sobre o tempo entre a saída pontual de um ônibus e a previsão da chegada do próximo, eu me ocupo de culpar-me pelo atraso ou pela automação de nossas relações civilizacionais. O mundo disforme das boas intenções é o inferno dos outros. O próximo chegou precisamente, sem esparar pelos atrasos alheios.
Há algo que comove na imobilidade de assistir a paisagem em movimento, em se dar conta do atraso, da recorrência dos dias e das pessoas idosas que não tem lugar pra sentar. Talvez nada seja mais cruel que a educação diante do ponteiro afiado das horas.
quarta-feira, 21 de setembro de 2016
relíquias
norma
data venia
seja tenia
senil mata
tome a turba de rinocerontes
como exemplo
eles voam sem porquê
como o outro escreve
através de mim
sobre o malabarista do espaço
a brevidade é feita um grito
um filme mudo de pessoas mortas
o arrasto rebubinador
mas os personagens estão intactos
as mentiras não morrem
as mentiras são as mais concretas pedras
flutuantes
{não se sabe do homero
só se sabe de ulisses
aquele ninguém
aquele mendigo que retorna}
e retornamos
como os mares que despencam quando a terra finda
quando pela fenda de teu corpo
eu fecundo
ou por acaso aquela pedra
que instrumenta o impronunciável
no parque idílico, o qual nos domesticamos
as bestas desenham naturezas-mortas
em paredes de cimento
frutas em decomposição
mas se até a pedra apodrece gravitando involuntária pelo espaço,
não dirão o mesmo do sublime.
data venia
seja tenia
senil mata
tome a turba de rinocerontes
como exemplo
eles voam sem porquê
como o outro escreve
através de mim
sobre o malabarista do espaço
a brevidade é feita um grito
um filme mudo de pessoas mortas
o arrasto rebubinador
mas os personagens estão intactos
as mentiras não morrem
as mentiras são as mais concretas pedras
flutuantes
{não se sabe do homero
só se sabe de ulisses
aquele ninguém
aquele mendigo que retorna}
e retornamos
como os mares que despencam quando a terra finda
quando pela fenda de teu corpo
eu fecundo
ou por acaso aquela pedra
que instrumenta o impronunciável
no parque idílico, o qual nos domesticamos
as bestas desenham naturezas-mortas
em paredes de cimento
frutas em decomposição
mas se até a pedra apodrece gravitando involuntária pelo espaço,
não dirão o mesmo do sublime.
quinta-feira, 15 de setembro de 2016
Esopoclastia
Sentido da vida, rapaz?
A fábula acabou. A cigarra trocou de pele, o formigueiro inundou antes do inverno, as vinhas apodreceram e a raposa invadiu o galinheiro.
A moral da história não termina quando acaba.
A fábula acabou. A cigarra trocou de pele, o formigueiro inundou antes do inverno, as vinhas apodreceram e a raposa invadiu o galinheiro.
A moral da história não termina quando acaba.
quarta-feira, 7 de setembro de 2016
Prece apressada
Nasça
Até
Que
Assa
Ouça
O seu
Soluço
Resolva
Essa
Celeuma
Salve
Quem
Puder
Pelo
Imundo
Mundo
Possa
O que
Salvar
Mude
Mudo
Muda
Fele
Até
Que
Fira
Seja
Até
Que
Sele
Doe
Até
Que
Doa
Some
Até
Que
Suma
Até
Que
Assa
Ouça
O seu
Soluço
Resolva
Essa
Celeuma
Salve
Quem
Puder
Pelo
Imundo
Mundo
Possa
O que
Salvar
Mude
Mudo
Muda
Fele
Até
Que
Fira
Seja
Até
Que
Sele
Doe
Até
Que
Doa
Some
Até
Que
Suma
Amendoeira
(Você pega Drummond. Um velhinho tãoo inofensivo. Mas que disse tanta coisa. )
A dimensão da humanidade está nesse lugar entre a forma e o conteúdo. Entre a potência e o retrato, o impulso, que nos leva ao estranhamento dos nossos rostos no espelho.
A dimensão da humanidade está nesse lugar entre a forma e o conteúdo. Entre a potência e o retrato, o impulso, que nos leva ao estranhamento dos nossos rostos no espelho.
sexta-feira, 2 de setembro de 2016
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