terça-feira, 20 de maio de 2014
metonímia (parte 2/2)
enquanto ferida, pulsa feito o músculo -
a consciência intracraniana do universo
- soa o suor do oceano
objeto-sol do sorriso
na renovação metamórfica
do olhar de você:
um espelho d'água que esclarece
a miragem imaginária de um martelo.
domingo, 18 de maio de 2014
o cego na via
lacto despejo
como a lágrima insuportável
como a lástima inseparável
desnaturada escuridão.
desnorteadamente
alada
como a libélula
no furacão
e em cada rajada de vento
inesperada,
a certeza de que de vontade
não basta
diante a sorte do incontrolável de ser
um ponto à mercê da via láctea
um ponto à mercê da via láctea
sábado, 17 de maio de 2014
eu outrem
outrem
fui melhor
o ontem
é o outro
o dia é
largo
dia l é
ticamente
lago
dial
éticamente
galo
chicleticamente
galáxia
amanhã
do pior
fui melhor
o ontem
é o outro
o dia é
largo
dia l é
ticamente
lago
dial
éticamente
galo
chicleticamente
galáxia
amanhã
do pior
arqueolíngua
o homem moderno
em seu carro vintage
- australopitecos
máxima
desse
deus ex-machina
num guindaste
plástico
se apoderando
do tempo.
- antropófago
vestígio
dentro da língua clara:
um osso
ou dez mil
de terno
na palavra que me pariu
sepulto no léxico
da inteligível
média móvel
entre o que morre
e o que se esquece.
mas cavo,
até ser-me língua
e balbuciar a sede
com grunhidos poéticos.
em seu carro vintage
- australopitecos
máxima
desse
deus ex-machina
num guindaste
plástico
se apoderando
do tempo.
- antropófago
vestígio
dentro da língua clara:
um osso
ou dez mil
de terno
na palavra que me pariu
sepulto no léxico
da inteligível
média móvel
entre o que morre
e o que se esquece.
mas cavo,
até ser-me língua
e balbuciar a sede
com grunhidos poéticos.
segunda-feira, 5 de maio de 2014
Modérme
Esquizo
Tropeço
Oligo
Desnível
Imperceptível
Começo
Espasmódico
Fim
Prevejo
Fáustico
Desejo
Convexo
Hemodiálico
Rim
Boêmio
Sim
O inefável
Voraz
Verte
Esquálido
Não
Metálico
Em
Mim.
Tropeço
Oligo
Desnível
Imperceptível
Começo
Espasmódico
Fim
Prevejo
Fáustico
Desejo
Convexo
Hemodiálico
Rim
Boêmio
Sim
O inefável
Voraz
Verte
Esquálido
Não
Metálico
Em
Mim.
quarta-feira, 30 de abril de 2014
Bocejo
Neste domicílio
Sem sono sem brilho
Um filho
Em forma de rima
Em forma de sina
Mimética mínima
Da falta de sono
Da falta de clima.
Sem sono sem brilho
Um filho
Em forma de rima
Em forma de sina
Mimética mínima
Da falta de sono
Da falta de clima.
terça-feira, 22 de abril de 2014
segunda-feira, 21 de abril de 2014
herói
estou no sub
da urbe
à 10.000 km/h
viajando de
trem-bala perdida
pelas veias
desta cidade fodida.
domingo, 20 de abril de 2014
esque cimento (ou quando todos os sinais estão vermelhos)
você lê ou vê algo absolutamente banal
(subitamente) se dá conta de que talvez possa não esquecer daquilo nunca mais:
o vento passa novamente, e você
[futilmente] não consegue lembrar de mais nada
a não ser diante deste segundo fundamental de reflexão, em que toda a cidade medita.
{simultaneamente} os sinais estão fechados - do cruzamento à avenida.
mas o uivo livre e improvável que rasga a arquitetura deste prédio
destoa do ohm brilhante, que pela chuva fina na ribalta, contempla este concerto imóvel de carros.
o segundo passa, e recordo meu nome.
- um belo nome pra uma rua sem saída.
(subitamente) se dá conta de que talvez possa não esquecer daquilo nunca mais:
o vento passa novamente, e você
[futilmente] não consegue lembrar de mais nada
a não ser diante deste segundo fundamental de reflexão, em que toda a cidade medita.
{simultaneamente} os sinais estão fechados - do cruzamento à avenida.
mas o uivo livre e improvável que rasga a arquitetura deste prédio
destoa do ohm brilhante, que pela chuva fina na ribalta, contempla este concerto imóvel de carros.
o segundo passa, e recordo meu nome.
- um belo nome pra uma rua sem saída.
quinta-feira, 17 de abril de 2014
uni
nosso inimigo está ali
logo atrás daquele muro
e essa guerra que nos envolve
também é a que nos une
nossos amigos estão ali
logo atrás daqueles braços
e esses abraços que nos envolvem
também são os que nos unem
nossos filhos estão ali
logo atrás daquela porta
e essa casa que nos envolve
também é o que nos une
eu estou ali
logo atrás de mim
e esse eu que me envolve
também é o que me une
tudo está ali
logo atrás do que se vê
e aquilo que envolve o tudo
é a própria união revelada de todas as coisas.
logo atrás daquele muro
e essa guerra que nos envolve
também é a que nos une
nossos amigos estão ali
logo atrás daqueles braços
e esses abraços que nos envolvem
também são os que nos unem
nossos filhos estão ali
logo atrás daquela porta
e essa casa que nos envolve
também é o que nos une
eu estou ali
logo atrás de mim
e esse eu que me envolve
também é o que me une
tudo está ali
logo atrás do que se vê
e aquilo que envolve o tudo
é a própria união revelada de todas as coisas.
quarta-feira, 9 de abril de 2014
cardial
tua alma exposta no varal
e da varanda, o coração pula
na palma que não cabe
e como haveria de caber,
o que não se mede?
e como poderia haver,
o que não se vê?
vendo o que não se pode,
medira o mundo com o que havia
a mão espalmada vazia
e todas as direções abertas de sentido.
segunda-feira, 7 de abril de 2014
the feast
themed maze
infinite gaze
a bitter blaze
which phases
the moons
to the deep
to the crust
to the deep
to the crust
infinite gaze
themed maze
the eye of the beholder
beholds a beast
serving its feast
to the deep
to the crust
to the lonely moon
within.
infinite gaze
a bitter blaze
which phases
the moons
to the deep
to the crust
to the deep
to the crust
infinite gaze
themed maze
the eye of the beholder
beholds a beast
serving its feast
to the deep
to the crust
to the lonely moon
within.
corda bamba
o retrato sintético da espécie
no olhar desta mulher que me vê
a vertigem da palavra não dita
e a coragem dos equilibristas
do último estreito penhasco:
a voz.
e do meio do silêncio total:
você
feita um malabar
suspenso no ar
feita a própria gravidade
caindo em si mesma
.
.
no olhar desta mulher que me vê
a vertigem da palavra não dita
e a coragem dos equilibristas
do último estreito penhasco:
a voz.
e do meio do silêncio total:
você
feita um malabar
suspenso no ar
feita a própria gravidade
caindo em si mesma
.
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