quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Parábola

Parece haver um alvo
Mas há quem duvide
Parece haver um alvo
Mas há quem duvide
Parece haver um alvo
Mas há quem duvide
Parece haver um alvo
Mas há quem duvide
Eu atiro.
Parece haver um alvo
Mas há quem duvide.



Franco atirador

Parece haver um alvo
Mas há quem duvide
Parece haver um alvo
Mas há quem duvide
Parece haver um alvo
Mas há quem duvide
Parece haver um alvo
Mas há quem duvide
Eu atiro.
Parece haver um alvo
Há menos 1 que duvide.


Consciência e seiva


Ceifados lírios do jardim
A injusta amputação


A floresta que há em mim
Abriga luz e escuridão



Copabacânica

O apóstrofe dos apóstolos:
"Pai nosso que estás no céu,..."
De rompante e sem roupa interrompem
Profanando o inefável fanatismo
"Pau nosso que estás no seu..."

Cruzam os cus e a cruz
Nas cabanas em Copacabana
Para a ponderar o Papa sem pompa
E o fio dental da mulata que bamba.


terça-feira, 30 de julho de 2013

Ebriedade

Qual-quê?
Intimidade?

Se dividimos o quarto
O corpo
E a cidade?

Lembro o Horto
E sorvo sorvo
Vadiagem

Torto
E louco louco
À tua imagem

Solto
Verto o vento
De passagem

No quarto
O mole corpo
É a cidade

Na noite
Tropo a torpe
Castidade

Ou o acerto
Turvo
Da vaidade

Que em teu parto
Pôs-te o ovo
A gravidade

Fartei-me
Morto
É a idade..


segunda-feira, 29 de julho de 2013

Avestruz

A segunda-feira atroz
Ao que ficou pra trás
O que faremos os três
Se vivermos por um triz?


quinta-feira, 25 de julho de 2013

Exprime,

Espreme
Até sair o suco
Até formar os sulcos
Em que corra esse teu rio
Porque chorar é uma forma de sorriso
E o porquê é uma desculpa pro teu cismo.





domingo, 21 de julho de 2013

Lição de despedida

Em simulacros, a verdade emerge concatenada.

Pensam o que querem pensar
Vêem o que querem ver
São o que querem ser.

E a dúvida é um espectro do desejo
Que sonhamos com medo.

Iremos todos embora
Deixando nos interstícios
Nossos intestinos.

No éter,
O pesadelo será aquém de estarmos juntos
Se não ousarmos duvidar
De nós mesmos,
Se não ousarmos ser
O que duvidamos..


sábado, 20 de julho de 2013

O ballet no Everest

Dançou ballet no Everest
Mas a escuridão vem como soco
E não havendo coisa a se atentar
A respiração é contada:
Um (inspira)
Dois (expira)
Três (inspira)
Precisa expulsar o frio
Mas só o tem
E o precisa.


sexta-feira, 19 de julho de 2013

Passando

Em um parque abstrato, uma mulher concreta chora. O parque e a mulher existem menos do que o que passa pela sua cabeça. Há algo que passa. E continua. E continua. E continua. E continua. O parque e a mulher permanentemente passam. E continuam.


segunda-feira, 15 de julho de 2013

Lacrimogênese

Eu quero teu peito amostra
Tua pele nua

Desarmada da borracha
Do escudo de plástico

Eu quero teus olhos atentos
lacrimogêmeos

Corpo-a-corpo
E oxigênio

A carne crua
E o pé descalço

E braços
Inalcançadamente abertos

Eu quero te arder
através e por dentro

Tragar o teu suor
E me afundar em teu cheiro

Sem partidos
E sem governos

Eu quero ser
a própria multidão em você.





quarta-feira, 10 de julho de 2013

Tríptico grave

um plano branco
gravado

um disco negro
gravado

um braço exposto
gravado




O livro

O vinil

A tatuagem




Olhos

Ouvidos

E pele

Sintonicamente apurados

Na gravidez de gravarem

A gravidade sentida.


A noite

Ela se sentia anestesiada. Quando saia, ria com os amigos. Mas cada felicidade era trivialmente banal. Gostou quando sentiu o inverno chegando pela água da torneira. O espelho a refletia evasiva. Ela não estava gorda, mas duvidava do próprio reflexo. Uma formiga parecia mais interessante. Não sentia fome, e o mesmo cd não parava de tocar ao fundo. Foi para a sacada e chorou, era o gás lacrimogêneo da Delfim Moreira.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Nômade

No teu reino,
Um entreposto de incertezas
Mirante do horizonte

Da clareira no campo
O céu anoitado esclarece nímio

Descobertos vales
A seiva corre livre
Essência

Há em frondosas sombras
O discreto brilho
Contornado do olhar

Tua selvagem floresta 
abriga indomada beleza
O triste mistério natural

No escuro, o relevo acidentado
e colinas suaves de relva

A ameaça das cores invade
nuvens adormecidas
e revela montes longínquos

O dia enrubescido
E o brilho discreto da sombra 
dispersam a leve brisa

A terra envolve
E cada fruto emana
O aroma de sua história

Os passos
rumam livres e todo tempo
É a própria descoberta

domingo, 7 de julho de 2013

Vertigem


Vi amar
-te


D'uma
janelanua

Vermelhor
o ôco

Azular
o corpo

Solarizar
o osso

Enluarar
a carne


Via ser
-te


Cadenciar
A boca

Silenciar
A face


Vi ater
-te


Libertin
arte toda

Horalizar
O tempo

Sussurrar
Suando

Soarizar
o vento


Verter-me
Em ti

Por ter-te

Em mim