domingo, 14 de março de 2010

Vertigem (Sem ver-te)

O medo de altura me faz olhar pra baixo
E na altitude de 1,90m
Eu me sufoco precipitado em você
Abismando-me
Eu caio uma queda sem impacto
Nossas gravidades me fazem sentir
O asco, o sabor da realidade
Da vida, enquanto a mais bela melodia mal gravada.

Mas nada é mais intenso, e eu quero gravar, que:

Sua mão entre a minha
Livrar-me do precipício,
Sua boca entre a minha
Livrar-me da grosseria,

Você entre mim
Livrar-me do peso de existir.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Hipoéticamente

E se me liberta-se do arbítrio?
E se viver for a contínua tentativa fracassada da morte?
E se a prevenção for a causa do imprevisto?
E se alguém ja tiver dito a Verdade?
E se Deus crê em deuses?
E se eu não gastasse bons versos em poemas canhestros?
E se pudesses ler todas intenções?
E se eu nunca singrasse por seus olhos?
E se um dia esquecer seu semblante?
...

Por todas incertezas, quero estar convicto de você.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Alquímica

Por todos os peitos o pulso do sol
E no voltar do carbono à terra
A repulsa dos ossos que desmoronam em cinza
E de estarem avulsos de um corpo
Fazerem parte do todo.

Poema espirrado

Por tudo que começa
A centelha do alvo de dois olhos
Em cada esquina
A sina da extravagância do flerte
No assalto da culpa
O latrocínio dos excessos
E não poupo a circunstância
De dizer, que agora, nesse detalhe
No monumento do momento,
As verdades foram todas ocas.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Sempre que acaba o carnaval

o palhaço me fala que essa fantasia de humano não me cai bem.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A 300.000.000 m/s

E da pergunta última
A tentativa inconclusiva de se definir
Diz:
Eu, feixe, sou além do reflexo, o passado de minha própria sombra.

Mas para os íntimos:
Eu, poeta, nada mais que mais um desavisado com mania de intuição.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Afilando

Retire o que disse
Meus para sempres não passaram de por enquantos
E se o por enquanto é o segmento entre dois eventos
Demarco os planos - subsolos de você -
Apesar da intersecção dos enganos
Sentir e esquecer
Entre isso, uma sinapse ou toda uma vida.
Vai saber...

Em paralelo, na angústia do tempo
Blasfemo sinais vermelhos e quebra-molas
Vértices, Vertigens
Ordenadas desordenadas
E abscissas abissais.

De você espero nos enquantos a esperança.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Interlúcidos

E no fim, sei.
Sei que a raíz de todas minhas frustrações residiram na minha formação teleológica.

E no início, sabia.
Sabia que nunca soube de nada, a não ser que nada sabia.

E no meio, poderia saber.
Poderia saber lidar com o fim das coisas com a mesma espontaneidade do amor de uma mulher.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Tribunau

O séu
Limpo ou de dilúvios
Graniza Grãos ao Granito
Na rua Réus dúbios
Nublados de azul-claro
Esboçam Increpusculosos
Seus delitos

Flagrantes aparências
Juras jolgadas
O martelo ausculta
Os fatos
Não há sentença ao tato

Condenados
A solitária
O cárcere de um quarto
Sob custódia o afago
Fagocita a Lei

Advogam as causas
Em outra instância
A distância
E a sentença sem pistas
Conclui:
Prisão perpétua aos omissídas.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

ô

Teu ventre me sustenta enquanto afeto
Desprego atenção por afagos do teu sopro
Murmuro a sensação que me flutua até o teto
Eu sou rente de você um entorno torto
Mas os sentidos me despontam estar reto
Eu grito e desperto o que está morto
Pra lhe acordar o acordo mais incerto
Comprometo minhas vísceras ao conforto
Das incertezas no que há de mais secreto
Apelo tua derme arranhando teu entorno
As cócegas não enxergam o medo do incompleto
Sempre os dilemas que sorvo por estar perto
Dos olhos que salivam os fluidos do meu corpo
Só quero por todas as fraquezas estar certo.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Virtuócio

Hoje o ordinário pressupõe a ordem..
E a anarquia cada vez mais arcaica..

Enquanto míster dos mistérios
A vida, implacável como nunca,
Delibera seus ataques histéricos
E desatina as sobras da loucura..

Última-mente... ,.. (ensejo um bocejo)
Tenho mais o que não fazer do que escrever.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Nervos e números

Peço. Peco. Minhas escolhas não são palavras e tampouco têm cedilhas ou não.
(In)compatível cúmplice,
Complico o óbvio pra aproveitar.
Prover o improvável em porcentagens ilógicas.
A maioria de mim quer o incognoscível.
Mas um milionésimo qualquer prefere saber:
Qual o teu nome? Ou melhor, qual nome queria ter?
E o teu tanto faz se desfaz nas especulações.
Queria que nossa média aritmética fosse eu, ou você, sabe lá tanto faz.
Ainda nem aprendi derivada, mas sei, sem terceiros
Estou na deriva de você, dizimando-me periodicamente.

Inêxtase

Dubito incognito
Com meus cabelos
As unhas
Ergo
De frente pra mim
Levanto o cotovelo
Divagar sobre:
-Tá, depois que tu aprendes a viver só.. e aí, professor?
Sum
Ainda?

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Indelével presente

Amarelos, os sorrisos e a lua
Lubrificam os desejos - no quarto -
Os castanhos arregalam os azuis
E o quarteto ensi-nua apagar a luz.

Os porta-retratos te maltratam
- Nos partos - de outros passados
Sorrisos e olhares ilhados drogaram.
Agora, na penumbra beijos alados.

A fotofagia dos nós dois é a lembrança do presente
Antes do depois, [os semblantes]

Tome-o, mas não o abra.

Nunca ou por enquanto, até que (eu) caiba todo em sua mão.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010