sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Entrevista

Numa entrevista
Sem palavras
Nos entendemos
Sem dizer

Inconstante consoante
O doce nome do olhar.
 

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

"Era bom, mas não era dois."


Era uma vez,
Um homem que era dois,
o suprassumo da 'bondade'
Um ser cabalar
Que cismaram que era três.


No teu lugar


O palito atravessado
Cisca a carne do fundo dos teus dentes
E de repente,
Dá-se a glória do alívio
O buraco está aberto
E nada o encobre, senão o costume em tê-lo vazio.


terça-feira, 6 de agosto de 2013

Na beira do caminho

Na beira do caminho
Tinha um senhor distinto
Igual a todos os outros

Tinha um senhor distinto
Igual a todos os outros
Na beira do caminho

De retinas tão fatigadas
Um senhor distinto
Igual a todos os outros
Passou por mim
Na beira do caminho
E jamais me esqueceu.


Onde?

A tua importância social
Na insignificância mundial..

Onde foi parar a tua infância?
Na infâmia da etiqueta de um banquete?
No afã insuportável de um boquete?
Na rotina controlada que repete?



Reza ao qualquer

Não me interessa teu nome. Não me interessa teu rosto. Não me interessa sequer se lês estas palavras, ou ainda, se sabes ler. Este texto é pra você. Com todo o carinho que houver, feito um ato de fé. Esta intenção sacramentada, te acalmará o pranto, te saciará a fome e, sobretudo, te servirá de inspiração para seguir adiante. Cada entrelinha te acolherá num abraço, e o ponto final lhe será, tão somente, o amor infinito.


domingo, 4 de agosto de 2013

Parágrafo nômade

O infracionável corpo. A imensidão aterradora. Existem pólos inexoráveis que sequer tenho conhecimento. E ainda que a consciência configure razão a claustrofobia, não poderia ser outro senão. A solitária permanente que me acerca, dentro destes membros calejados. Preso convicto. Os maremotos potenciais tramam me abater, e estas belas plantas sugam cruelmente a morte do que foi deixado pra trás. E a beleza intempestuosa de todas essas coisas são apenas o plano de vidro; este painel de possibilidades. Eu caminho em direção ao horizonte rarefeito. A lufada de liberdade é toda violência do devir.


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Parábola

Parece haver um alvo
Mas há quem duvide
Parece haver um alvo
Mas há quem duvide
Parece haver um alvo
Mas há quem duvide
Parece haver um alvo
Mas há quem duvide
Eu atiro.
Parece haver um alvo
Mas há quem duvide.



Franco atirador

Parece haver um alvo
Mas há quem duvide
Parece haver um alvo
Mas há quem duvide
Parece haver um alvo
Mas há quem duvide
Parece haver um alvo
Mas há quem duvide
Eu atiro.
Parece haver um alvo
Há menos 1 que duvide.


Consciência e seiva


Ceifados lírios do jardim
A injusta amputação


A floresta que há em mim
Abriga luz e escuridão



Copabacânica

O apóstrofe dos apóstolos:
"Pai nosso que estás no céu,..."
De rompante e sem roupa interrompem
Profanando o inefável fanatismo
"Pau nosso que estás no seu..."

Cruzam os cus e a cruz
Nas cabanas em Copacabana
Para a ponderar o Papa sem pompa
E o fio dental da mulata que bamba.


terça-feira, 30 de julho de 2013

Ebriedade

Qual-quê?
Intimidade?

Se dividimos o quarto
O corpo
E a cidade?

Lembro o Horto
E sorvo sorvo
Vadiagem

Torto
E louco louco
À tua imagem

Solto
Verto o vento
De passagem

No quarto
O mole corpo
É a cidade

Na noite
Tropo a torpe
Castidade

Ou o acerto
Turvo
Da vaidade

Que em teu parto
Pôs-te o ovo
A gravidade

Fartei-me
Morto
É a idade..


segunda-feira, 29 de julho de 2013

Avestruz

A segunda-feira atroz
Ao que ficou pra trás
O que faremos os três
Se vivermos por um triz?


quinta-feira, 25 de julho de 2013

Exprime,

Espreme
Até sair o suco
Até formar os sulcos
Em que corra esse teu rio
Porque chorar é uma forma de sorriso
E o porquê é uma desculpa pro teu cismo.





domingo, 21 de julho de 2013

Lição de despedida

Em simulacros, a verdade emerge concatenada.

Pensam o que querem pensar
Vêem o que querem ver
São o que querem ser.

E a dúvida é um espectro do desejo
Que sonhamos com medo.

Iremos todos embora
Deixando nos interstícios
Nossos intestinos.

No éter,
O pesadelo será aquém de estarmos juntos
Se não ousarmos duvidar
De nós mesmos,
Se não ousarmos ser
O que duvidamos..