quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Bilhete narrado
Inacabadamente
Cabalisticamente
Um contagem regressiva
Regride-me
Ao grito primal
Eu podia sentir
O teu calor amniótico-
De fora:
O ar-condicionado que invernizou o mundo
De dentro:
Aquele velho edredon
O nosso sudário da sacanagem
Eu podia sentir
A juventude de nossos corpos
O brinde e o gole de todos os copos que eu bebi
De cada articulação de nossos músculos
Da distância infinita de dois narizes
Eu sentia o redemoinho do teu ouvido
E ouvia a brisa do teu suspiro
Eu podia sentir tudo
Até que deixei de sentir
Como havia deixado de viver
Parei de sentir..
E passei a lembrar
Uma lembrança quase objetiva
Um quadro de cada cena
Todos muito intensos
Lembrei de quando
Provei amoras pela primeira vez
Mas não sentia o gosto
Não sentia teu rosto
Mas lembrava dele
E como havia deixado de viver
E de sentir
Passei a deixar de lembrar
Como se meu espírito
gradualmente
resvalasse
pelo vale
movediço
da ampulheta
E agora
passo a ter o medo
da gravidade do mundo
como quando nasci
como quando nasci
como quando nasci
como quando nasci
Cabalisticamente
Um contagem regressiva
Regride-me
Ao grito primal
Eu podia sentir
O teu calor amniótico-
De fora:
O ar-condicionado que invernizou o mundo
De dentro:
Aquele velho edredon
O nosso sudário da sacanagem
Eu podia sentir
A juventude de nossos corpos
O brinde e o gole de todos os copos que eu bebi
De cada articulação de nossos músculos
Da distância infinita de dois narizes
Eu sentia o redemoinho do teu ouvido
E ouvia a brisa do teu suspiro
Eu podia sentir tudo
Até que deixei de sentir
Como havia deixado de viver
Parei de sentir..
E passei a lembrar
Uma lembrança quase objetiva
Um quadro de cada cena
Todos muito intensos
Lembrei de quando
Provei amoras pela primeira vez
Mas não sentia o gosto
Não sentia teu rosto
Mas lembrava dele
E como havia deixado de viver
E de sentir
Passei a deixar de lembrar
Como se meu espírito
gradualmente
resvalasse
pelo vale
movediço
da ampulheta
E agora
passo a ter o medo
da gravidade do mundo
como quando nasci
como quando nasci
como quando nasci
como quando nasci
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Ricochete
Todos os lápis apontados,
Todos gatilhos puxados,
Nos tambores vazios, o 'cleck'
Na sorte certa da morte, o 'powl'.
O beatle não, doutor
Esse é hit, mais um hit
Dali na Síria do Alemão
No olho palestino
Nas costas do Sudão
Numa vala no Congo
Entre o indicador e o dedão
Calibre grosso de cano longo
Um outro hit
Em nome da revolução
Estamos quites
A poça vermelha da religião
Marchemos todos serenos
No ricochete da rotina
Até que a bala perdida
Nos encontre
Antes que saque do coldre
A juventude
De um pobre negro de atitude
Ou feche o saco preto que cobre
O que não queremos ver.
Esse é hit, mais um hit
Dali na Síria do Alemão
No olho palestino
Nas costas do Sudão
Numa vala no Congo
Entre o indicador e o dedão
Calibre grosso de cano longo
Um outro hit
Em nome da revolução
Estamos quites
A poça vermelha da religião
Marchemos todos serenos
No ricochete da rotina
Até que a bala perdida
Nos encontre
Antes que saque do coldre
A juventude
De um pobre negro de atitude
Ou feche o saco preto que cobre
O que não queremos ver.
terça-feira, 27 de novembro de 2012
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Intifada
Agora, a liberdade tem cheiro de sangue vivo. E não nos encontramos mais depois que as armas descarregaram. Me lembro do raiar de um dia, em que os zunidoz dos aviões imitam a noite e a estridência regressiva das bombas, trovões violentamente programados. À duas quadras, o corpo de uma mulher. À duas quadras... E agora, eu só tenho medo do canto do galo e do nascer do sol. A boca crivada de falas. Alá é maior! Alá é maior!
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Anúncio
O gradiente cinza
A contagem regressiva:
A árvore alada
Queima a noite
Em praça pública
Chama horizontal,
Inquisidora madrugada
Feita espada
Amputa as putas de suas praças
Solfeja o bocejo dos insônes
E revela os gritos da calada
Desencanta a escuridão
Com o claro óbvio
Ululante.
A cruel ave de fogo
Desalma amores em ceifadas
As velas acesas
Já não servem de mais nada
Alvorada
Não há mais o foco
Tudo esclarece
No falecimento da sombra
Tudo reluz
No fio da faca
Cega alvorada
Não vês que a flor da pele
Não precisa de cor
Mas brota ao ser tocada
E no anúncio
do Quase,
Na lúgubre
Certidão de morte
Do Escuro
Os olhos dormem
Pra ver as coisas como são.
sábado, 10 de novembro de 2012
postum
nada é mais inspirador do que o que o melhor poema do mundo prestes a ser escrito.
e o sucesso de um fracasso enfeitado.
e o sucesso de um fracasso enfeitado.
petróleo
as probabilidades
não calculam
a chance do
equilíbrio do dado por uma
de suas arestas
ou a influência
de seus resultados
diante dos fatos calculados
ou a vertigem da coincidência
eu me sinto vivo mastigando chiclete.
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
o coletivo
roletas
ressoam
em
coletivos
anônimos
todos
os
ônibus errados
levam ao mesmo lugar
errado
na rússia
as roletas
ressoam
em coletivos
anônimos
que levam
a lugares
errados
em serra leoa
coletivos
anônimos
em lisboa
lugares
errados
no rio
os ônibus
errados
cruzam a noite
rumo a lugares
errados
em todos
os lugares
em todos
os coletivos
os lugares
errados
atravessam
as noites
anônimas
pelas janelas
dos ônibus
errados.
até
até
que
o lugar certo
passa
mas
não para no ponto.
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
O coma
O colo
A cama
Deste coma
Ninguém me ouve
Apenas este psicografista que ninguém irá acreditar
Ele não convence, um moleque de vinte e poucos anos,
Com cara de louco..
Quem iria acreditar?
Estou em coma
E antes que me queiram libertar
(Se por ventura acreditarem nesse pseudo-vigarista, é claro)
Saibam que não quero!
Nunca fui tão feliz antes.
Mas me deu uma vontade de ser ouvido
Afinal, sou artista.
(Ou pelo menos achava ser)
E como função de tal, devo me articular.
Fui jornaleiro, jornalista
Engraxate e maconheiro
Malabarista, pintor de puteiro
Mas antes de ocupar a maca,
Hamburgueiro do McDonald's
Estou na vanguarda.
Que eu saiba este é o primeiro poema psicografado.
Começo como o primeiro dadaísta do quase-além,
E sem terreiro.
Preto Velho High Tech
Pomba Gira 2.0
O Espiritismo New Age
E antes que os clássicos ocupem as prateleiras góspeis
Eu vou escarrrar porque sou vanguarda, porra!
Um cuspe ectoplásmico
Não fui diplomata
Nem funcionário público,
Nem assistente de biblioteca.
Nunca li um livro!
E se isso tudo tá escrito certo
É porque o 'psicografólogo' - sei lá o que ele é -
Deve ser um datilógrafo ou no mínimo um cú de ferro playboy
Mas tenho poesia no corpo!
Minha vó é contadora de história
E faço rap desde novo.
Mas não sei se eu morri.
Não sei.
A tristeza é saber que existe o bom, apesar do original
É saber que existe alguma coisa de fora do muro,
De fora da maca, existe o mundo.
De fora do coma,.. a vida de vocês.
E eu ouço, esses aparelhos apitando.
Me acordem, enquanto eu grito!
Escreve rápido, vai
Antes que eu desacorde
Desta mentira de psicografar
A alma de um fodido
Que certamente existe sim
E está em coma agora
Num hospital tão fodido quanto
E nele talvez alguém
Só de sacanagem ou sem saber
Inocule uma vacina
De café com leite
Uma média pra acordar
E começar o dia.
- Bom dia.
Dentro
Dentro do poema
Há um poeta morto
Um eu-lírico preso
E uma poesia livre
Dentro do poema
Há uma flor incolor
Um aroma inodoro
E a prova de amor
Dentro do poema
Há o erro ortográfico
Um verso sem rima
E a melhor intenção
Dentro da poema
Há a palavra,
A estrofe
E o universo.
Se é que há (pagode)
Se é que há
Sol no Japão
Se é que há
Água pra beber
Se é que há
Sede pra matar
Se é que há
Uma mulher qualquer
Se é que há
Você pode crer
Se é que há
No que Deus quiser
Se é que há
Deus na tua fé
Se é que há
Um perdão qualquer
Se é que tá
Pra amanhecer
Se é que há
Nesse duvidar
Se é que há
Chance de você
Se é que há
Ser minha mulher
Se é que há
Até que o Japão
Se é que há
Deixe escurecer
Se é que há
O copo esvaziar
Se é que há
Corpo pra morrer
Se é que há
Pelada de manhã
Se é que há
O que há de haver
Se é que há
Espera que você
Se é que há
Não ache a roda vã
Se é que há
Chance de eu te ter
Se é que há
Pelada de manhã.
Sol no Japão
Se é que há
Água pra beber
Se é que há
Sede pra matar
Se é que há
Uma mulher qualquer
Se é que há
Você pode crer
Se é que há
No que Deus quiser
Se é que há
Deus na tua fé
Se é que há
Um perdão qualquer
Se é que tá
Pra amanhecer
Se é que há
Nesse duvidar
Se é que há
Chance de você
Se é que há
Ser minha mulher
Se é que há
Até que o Japão
Se é que há
Deixe escurecer
Se é que há
O copo esvaziar
Se é que há
Corpo pra morrer
Se é que há
Pelada de manhã
Se é que há
O que há de haver
Se é que há
Espera que você
Se é que há
Não ache a roda vã
Se é que há
Chance de eu te ter
Se é que há
Pelada de manhã.
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
As outras
Flertei-te os olhos.. por outra mulher
Senti-te o perfume.. por outra mulher
Afaguei-te o cabelo.. por outra mulher
Beijei-te a nuca.. por outra mulher
Lambi-te os seios.. por outra mulher
Disfrutei-te o orgasmo.. por outra mulher
Deitarei-me com o mundo, até tê-la por inteiro.
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