terça-feira, 25 de maio de 2021

Insone vigilância

 Ouço um verso, e me compadeço aos limites dos sentimentos invisíveis.

Sou feito de pele e palavra. E me dou conta disso depois dessa temporada isolando meus olhos da poesia.

Pelo frio ou pelos lábios treinados dos meus filhos, tenho a singela testemunha do sublime.

Dá-me a vontade de compartilhar e também de dividir ao meio a angústia que é ver passar o tempo e também servir ao seu laboro. 

Em cada hábito e cansaço, um milímetro a mais dos finos fios dourados da nuca do Francisco ou dos cílios indecifráveis do Arthur.

Cerco-me agora como um soldado que se espreita na trincheira. Cerco-me de palavras, munido dos sentidos mais atentos. Aguardo vigilante... não sei bem o quê.


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