A realidade nasce como aborto da fantasia - em toda sua integridade - seus mecanismos, lâminas e roldanas, e parafusos, porcas, e seus circuitos, resistências e processadores - seus algozes, vítimas e motivações. Tudo alimentado por essa seiva agridoce - pela máquina. Nascida espontânea e morta na sequência. O real que somos, e nos entregamos como oferta, é - e reduz-se a apenas um instante que queima num oceano congelado de uma era glacial, de um mundo que desliza calmo pelo universo rumo a paralisia total do próximo horizonte de eventos.
Estou em casa e desligo o aquecedor pra me sentir mais vivo.